Zé Luiz, o Homem Surdo, e a Trilha na Mata.
Havia um homem já aposentado chamado Zé Luís, que se mudou para uma nova cidade. Era um homem simples, que gostava de caminhar para ocupar os dias e manter o corpo ativo. Poucos sabiam, porém, que ele era surdo. Como não respondia aos cumprimentos, muitos pensavam que ele era fechado, distante, alguém que não gostava de conversa.
Naquela cidade havia uma trilha muito conhecida. Era bonita, cercada de mata, mas também perigosa. Mais adiante, depois de um cercado com uma porteira que podia ser aberta, havia registros de ataques de onça, inclusive com mortes. Os moradores sabiam: carros e motos até passavam por ali, mas para pedestres o risco era grande.
Sempre que viam aquele homem caminhando em direção à trilha, as pessoas o alertavam de longe:
— Não vá por aí.
— Cuidado, essa área é perigosa.
— Não atravesse essa porteira.
Mas ele seguia em frente. Ele via as pessoas falando, mas não ouvia. E como ninguém se aproximava para se certificar de que ele compreendia, os avisos se perdiam.
No dia seguinte, novamente o homem caminhou. Mais uma vez, alertas foram feitos de longe, mas ele não os ouviu. Ao chegar à porteira, viu que estava aberta. Pensou que, se estava aberta, não haveria problema. Abriu a porteira e entrou.
Ele caminhou cada vez mais para dentro da trilha, já dentro da mata. Em determinado ponto do caminho, aconteceu a tragédia. Uma onça avançou sobre ele. O homem não teve como se defender, não havia ninguém por perto, e ele acabou sendo mais uma vítima daquele lugar perigoso.
Aquele homem morreu porque era surdo e não ouviu as advertências das pessoas. Não ouviu os alertas que lhe foram insistentemente colocados.
Reflexão
A surdez espiritual
A surdez retratada nesta parábola não é apenas física. Ela representa uma condição espiritual profundamente presente na humanidade. O ser humano, por natureza, encontra-se incapaz de ouvir a verdade do evangelho, não por ausência de mensagem, mas por resistência interior àquilo que Deus revela. Zé Luís representa todos aqueles que não dão ouvidos ao verdadeiro evangelho, ainda que caminhem próximos da verdade, ainda que estejam expostos a alertas claros e insistentes.
As Escrituras revelam que essa surdez não é neutra. Ela se manifesta no modo como o homem seleciona aquilo que deseja ouvir:
“Porque virá tempo em que não suportarão a sã doutrina; mas, tendo comichão nos ouvidos, amontoarão para si mestres segundo as suas próprias concupiscências; e desviarão os ouvidos da verdade, voltando às fábulas.” (2 Timóteo 4:3–4)
O texto mostra que o problema não está na falta de verdade, mas na rejeição da sã doutrina. A expressão “comichão nos ouvidos” descreve um desejo inquieto por mensagens que agradem, que confortem a consciência sem confrontar o pecado. Por isso, muitos não querem ouvir a verdade de Deus, pois a verdade exige arrependimento, exige humilhação, exige renúncia, exige esforço e abandono definitivo do pecado. Diante disso, fecham os ouvidos ao verdadeiro profeta de Deus e passam a buscar mensagens que anestesiem a consciência, que camuflem a culpa e preservem uma aparência de religiosidade sem transformação.
Essa surdez espiritual faz com que o homem caminhe confiante por trilhas que não são o caminho de Deus, ignorando os alertas, desprezando a voz da verdade, até que a consequência inevitável se manifeste — assim como ocorreu com Zé Luís.
Por isso, o Espírito de Deus faz um chamado direto e urgente:
“Quem tem ouvidos, ouça o que o Espírito diz às igrejas.” (Apocalipse 2:7)
Ouvir aqui não é apenas escutar palavras, mas acolher a verdade, ainda que ela doa, ainda que confronte, ainda que fira o orgulho humano. Um caminho percorrido longe da verdade conduz, inevitavelmente, à tragédia. Somente a verdade liberta, e a verdade é Cristo. Mas para segui-la, é necessário ter os ouvidos alinhados com a Palavra de Deus, pois é pela Palavra que Deus fala, corrige, adverte e conduz o homem ao caminho da vida.
O Alerta
Na vida, a audição é uma faculdade essencial ao ser humano. É por meio dela que a palavra é recebida, compreendida e assimilada. A audição permite que o homem entenda orientações, advertências e verdades que lhe são comunicadas. Sem ela, perde-se a capacidade de compreender muitas realidades fundamentais para a condução da própria vida.
Zé Luís deixou de ouvir as advertências que o impediriam de seguir por um caminho errado. Ele avançou por uma trilha que, desde o início, conduzia à tragédia. O resultado foi inevitável. Não se tratava de uma possibilidade, mas de uma consequência certa do caminho escolhido.
Da mesma forma, na vida espiritual, existem caminhos que não conduzem à vida. Não são caminhos de risco eventual, mas caminhos errados, cujo fim já está determinado. O ser humano caminha, muitas vezes, sem perceber que está avançando por uma direção que o afasta do propósito de Deus.
Existe, porém, uma verdade que livra o homem desse caminho. Existe uma mensagem que o retira da direção errada e o conduz ao caminho que lhe foi preparado. Essa verdade precisa ser ouvida. Ela chama o ser humano para fora da caminhada que leva ao afastamento de Deus e o conduz ao caminho que leva à vida eterna.
Essa parábola revela essa realidade espiritual. Ela mostra que é necessário ouvir a verdade que vem de Deus, pois somente essa verdade é capaz de tirar o homem do caminho errado e conduzi-lo ao caminho da vida.
É isso que Deus quer comunicar por meio desta parábola. Ele quer que essa realidade espiritual seja compreendida. Por isso, mantenha os seus ouvidos abertos para a verdade que Deus está lhe falando.
1. O Alerta
O alerta é a mensagem que o homem precisa ouvir. Ele existe porque há uma realidade espiritual que atinge toda a humanidade: todos nascem afastados de Deus.
A Escritura afirma:
“Portanto, assim como por um só homem entrou o pecado no mundo, e pelo pecado a morte, assim também a morte passou a todos os homens, porque todos pecaram.”
(Romanos 5:12)
Essa condição não é adquirida ao longo da vida, mas faz parte do estado em que o ser humano nasce. O próprio Davi reconhece essa realidade ao declarar:
“Eis que em iniquidade fui formado, e em pecado me concebeu minha mãe.” (Salmos 51:5)
Por isso, Jesus afirma de forma categórica:
“Em verdade, em verdade te digo que, se alguém não nascer de novo, não pode ver o Reino de Deus.” (João 3:3)
Esse novo nascimento está diretamente ligado à conversão, que significa mudança de caminho. A conversão não é apenas um sentimento interior, mas uma mudança real de direção. Trata-se de abandonar um caminho e passar a seguir outro. O arrependimento bíblico envolve essa transformação radical de vida, e é por isso que Jesus fala em novo nascimento.
Mas qual é esse novo caminho? O próprio Cristo responde:
“Eu sou o caminho, e a verdade, e a vida; ninguém vem ao Pai senão por mim.” (João 14:6)
Seguir esse caminho significa viver segundo os ensinamentos de Jesus, os quais estão revelados nas Escrituras. A Bíblia é a Palavra de Deus. É Deus falando conosco. É por meio dela que conhecemos quem Deus é, qual é a sua vontade e qual é o caminho que conduz à vida. Sem a revelação das Escrituras, o homem viveria segundo seus próprios pensamentos, achismos e interpretações pessoais, sem qualquer referência objetiva da verdade.
Quando o pecado ainda se manifesta na vida do homem, ele está negando o sacrifício de Jesus, permanecendo em oposição a Deus. A Escritura ensina:
“Nós, que morremos para o pecado, como viveremos ainda nele?” (Romanos 6:2)
Esse texto afirma que aquele que morreu para o pecado não permiti que o pecado se manifeste mais nele. O ensino bíblico não admite convivência entre nova vida e prática do pecado.
João Batista declara a respeito de Jesus:
“Eis o Cordeiro de Deus, que tira o pecado do mundo.” (João 1:29)
A palavra “tira”, no original grego, é αἴρω (aírō), que significa remover, levar embora, retirar completamente. O sentido não é encobrir ou tolerar o pecado, mas eliminá-lo. O sacrifício de Cristo não foi para que o homem continuasse no pecado, mas para que fosse libertado dele.
A Escritura também afirma:
“Por isso, quem crê no Filho tem a vida eterna; o que, todavia, se mantém rebelde contra o Filho não verá a vida, mas sobre ele permanece a ira de Deus.” (João 3:36)
Esse texto mostra que a vida eterna está diretamente ligada à obediência ao Filho. Não se trata apenas de crer intelectualmente, mas de permanecer fiel aos seus ensinamentos.
Por fim, a fidelidade é apresentada como condição final do caminho verdadeiro:
“Sê fiel até a morte, e dar-te-ei a coroa da vida.” (Apocalipse 2:10)
O caminho verdadeiro, portanto, é o caminho da fidelidade a Deus, vivido em obediência aos ensinamentos de Cristo revelados nas Escrituras, a biblia sagrada.
Conclusão e apelo
Esta parábola nos conduz a uma imagem clara e inevitável: um homem caminhando tranquilo, seguro de seus passos, enquanto a tragédia já estava no fim do caminho. Assim é a condição espiritual do ser humano. A surdez espiritual impede a percepção do perigo real, faz com que a pessoa avance confiante por um caminho que, desde o início, conduz à morte eterna.
Por isso, é necessário destapar os ouvidos. Curar a surdez espiritual é remover aquilo que obstrui a audição da verdade. Essa obstrução é, antes de tudo, o pecado. O pecado que se manifesta no orgulho, na religiosidade vazia, nas concupiscências da carne, nas concupiscências dos olhos e na soberba da vida. Manifesta-se também na desonestidade, na negligência para com a Palavra de Deus, e numa vida ainda centrada na própria vontade, que não morreu para si mesma nem se dispôs a viver para conhecer e fazer a vontade de Deus.
Essa condição funciona como uma infecção espiritual: contamina os sentidos, produz enfermidade nos ouvidos e gera surdez. E, por causa disso, o homem segue caminhando com aparente tranquilidade, enquanto o que o aguarda é a maior de todas as tragédias — a morte eterna da alma e o tormento eterno, longe de Deus.
Esta palavra existe para retirar o ser humano do caminho errado, caminho no qual todos nascem. Por isso, todos precisam se arrepender. Todos precisam de uma mudança radical de vida. Essa mudança é a conversão: abandonar definitivamente o caminho antigo e voltar-se para Deus em fidelidade.
Hoje, o chamado é este: não endureça os seus ouvidos. Permita que Deus cure a sua surdez espiritual. Ouça a verdade, ainda que ela confronte, ainda que doa, ainda que exija renúncia. Pois somente a verdade liberta, e somente o caminho de Deus conduz à vida eterna.
Portanto, abandone definitivamente o pecado. Coloque a Palavra de Deus acima de tudo em sua vida. Morra para a sua própria vontade e viva segundo o caminho que é Cristo, conforme os seus ensinamentos, que estão revelados na Escritura Sagrada, a Bíblia. Tome essa decisão enquanto há tempo, antes que a tragédia o alcance.
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A palavra de Deus nos fala que o povo sofre por falta de conhecimento da Palavra de Deus, pois é a Palavra que nos trás bênçãos e vida eterna. Quando o homem não ouve a Deus, dá ouvido ao diabo, e vive no pecado, e o salário do pecado é a morte. Sabemos também que a onde há pecado Deus não age, pois o pecado faz separação entre o homem e DEUS.( Isaías 59:2).
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