Afonso, sua família, a Academia, as pessoas da Academia, e aquilo que ele ouviu.
Naquela noite, Afonso saiu de casa com um objetivo bem definido. Ele precisava buscar um equipamento que havia comprado para sua academia, uma peça importante que tinha sido encomendada de um conhecido que morava próximo a uma igreja.
Era apenas mais um compromisso da sua rotina. Afonso tinha uma vida bastante movimentada, sempre envolvido com sua academia, seus negócios e as responsabilidades da família.
Quando chegou ao endereço, tocou a campainha e ficou aguardando o homem descer com o equipamento.
Enquanto esperava, percebeu que ao lado havia uma igreja. O movimento era grande: pessoas chegando, outras entrando pelas portas, vozes conversando, o som vindo de dentro do templo. As luzes estavam acesas e havia uma movimentação que chamou sua atenção.
Por curiosidade, Afonso olhou para dentro.
Naquele momento, o pastor estava pregando e sua voz podia ser ouvida por quem estava próximo à entrada. Afonso permaneceu ali por alguns instantes e acabou prestando atenção na mensagem.
Então ouviu o pastor ler:
"Vigiai, pois, em todo o tempo, orando, para que sejais havidos por dignos de evitar todas estas coisas que hão de acontecer, e de estar em pé diante do Filho do homem." (Lucas 21:36)
Aquelas palavras chegaram aos seus ouvidos de maneira inesperada.
Mas Afonso não deu grande importância àquilo. Ele já tinha a sua própria religião, frequentava a igreja de vez em quando e seguia uma orientação diferente daquela corrente cristã. Por isso, embora tenha ouvido, sua mente não se deteve na mensagem.
Nesse momento, uma voz chamou sua atenção:
— Afonso! Afonso!
Era o homem que havia descido com o equipamento.
Afonso se aproximou, conferiu a mercadoria, verificou se estava tudo certo, fez o pagamento e colocou o equipamento no carro.
O compromisso estava resolvido.
Ele se despediu, entrou no veículo e voltou para casa.
No caminho, a vida voltou ao ritmo normal.
Afonso tinha muitos compromissos. No dia seguinte, como acontecia todos os dias, ele estaria novamente na sua academia, cuidando do seu negócio, dos seus clientes e das responsabilidades que havia construído ao longo dos anos.
E assim a vida de Afonso continuou.
Ele era um homem dedicado ao trabalho. A academia era sua principal fonte de sustento, o negócio que havia construído com esforço, dedicação e muitos anos de luta.
Ali ele passava grande parte dos seus dias.
Conhecia seus clientes pelo nome, acompanhava o funcionamento do local e fazia questão de manter tudo organizado.
Sua esposa participava da rotina da academia. Era uma mulher jovem, bonita, cheia de vida, companheira de muitos anos. Juntos, eles construíram uma família e uma história.
Seus filhos já eram adultos. Alguns já haviam formado suas próprias famílias. Afonso também tinha netos, crianças que alegravam seus dias, que gostavam de estar perto dele e que encontravam no avô alguém presente e carinhoso.
Sua casa era cheia de lembranças.
Sua família reconhecia nele um homem cuidadoso, alguém que trabalhava para proporcionar o melhor para aqueles que amava.
Afonso também era conhecido por muitas pessoas.
Tinha amigos, era respeitado na região e possuía uma boa reputação.
Era visto como um homem honesto, trabalhador, educado e responsável. Tratava bem as pessoas, cumpria seus compromissos e sempre procurava ajudar quando alguém precisava.
Ele tinha uma religião, acreditava em Deus e entendia que estava vivendo uma vida correta.
Para aqueles que conviviam com ele, Afonso era um exemplo de homem de família.
Os anos foram passando.
A academia continuava funcionando, os filhos seguiam suas vidas, os netos cresciam e Afonso continuava aproveitando aquilo que havia conquistado.
Ele fazia planos.
Pensava no futuro.
Imaginava muitos anos pela frente.
Até que um dia, algo inesperado aconteceu.
Em uma tarde comum, quando retornava para casa depois de mais um dia de trabalho, Afonso foi surpreendido por um veículo que vinha em alta velocidade na direção contrária.
O motorista perdeu o controle e invadiu a pista onde Afonso estava.
O impacto foi violento.
Pessoas que estavam próximas chamaram socorro, mas, apesar dos esforços, Afonso não resistiu.
Sua vida terminou de maneira inesperada.
A notícia se espalhou rapidamente.
Na academia, onde tantas pessoas haviam convivido com ele durante anos, o silêncio tomou conta do ambiente.
Clientes, amigos e funcionários lembravam das conversas, dos conselhos e da maneira respeitosa como Afonso tratava todos.
No dia do enterro, sua família estava reunida.
Sua esposa, seus filhos, seus netos e seus amigos sentiam profundamente aquela perda.
Muitos falavam sobre quem Afonso havia sido.
— Ele era um homem bom.
— Um trabalhador.
— Um excelente pai.
— Um marido dedicado.
— Um amigo de verdade.
— Um homem honesto.
A lembrança que ficou entre as pessoas era de alguém que havia construído uma vida admirável diante dos homens.
Todos reconheciam suas qualidades.
Todos lembravam suas atitudes.
Todos tinham uma imagem positiva daquele homem que havia partido.
Mas uma pergunta fica:
E aquela mensagem que Afonso ouviu?
Ela tinha algum sentido e significado para sua vida, ou foi apenas algo sem importância?
É sobre isso que vamos tratar.
Reflexão
A verdade é que Afonso não estava ali por uma coincidência, um acontecimento comum ou uma simples ocasião sem importância.
A palavra que o pastor estava anunciando para a igreja também era dirigida a Afonso, embora ele não estivesse ali por vontade própria.
A Palavra de Deus permanece e nunca perde o seu propósito. Jesus disse:
"Passará o céu e a terra, mas as minhas palavras não hão de passar." (Mateus 24:35)
Era propósito de Deus que Afonso ouvisse aquelas palavras. Deus tinha um propósito naquelas palavras para a vida de Afonso.
Mas o que Deus queria dizer a Afonso através daquelas palavras?
Jesus estava falando sobre a necessidade de estar preparado diante dos acontecimentos futuros e diante da sua própria presença.
Os acontecimentos futuros são aqueles que o homem não consegue controlar nem prever. São as situações inesperadas da vida, as aflições, as perdas, os sofrimentos e até o momento da morte. Mas, acima de tudo, Jesus estava mostrando a necessidade de estar preparado para estar de pé diante dele, ou seja, aprovado diante do Filho do Homem.
Por isso Jesus disse:
"Vigiai, pois, em todo o tempo, orando, para que sejais havidos por dignos de evitar todas estas coisas que hão de acontecer, e de estar em pé diante do Filho do homem." (Lucas 21:36)
Para estar preparado e ser aprovado diante de Deus, é necessário viver em vigilância e oração.
Mas o que significa vigiar?
A ideia bíblica de vigiar está relacionada ao ato de permanecer atento, como um sentinela que observa cuidadosamente para perceber qualquer ameaça antes que ela alcance o seu objetivo.
Nas cidades antigas, o vigia permanecia em posição de alerta, muitas vezes sobre os muros, observando a aproximação de qualquer perigo ou inimigo que pudesse entrar e trazer destruição.
Da mesma forma, Jesus ensina que o homem precisa manter uma vida de vigilância espiritual.
O maior inimigo da humanidade é o pecado. A Bíblia mostra que pelo pecado a morte entrou no mundo e, pelo pecado, veio a condenação.
Portanto, como por um só homem entrou o pecado no mundo, e pelo pecado a morte, assim também a morte passou a todos os homens, porque todos pecaram" (Romanos 5:12).
Para estar aprovado diante de Jesus no final da vida, todo ser humano precisa, em algum momento da sua caminhada, reconhecer Deus verdadeiramente como Deus.
Isso implica o abandono definitivo do pecado, reconhecer verdadeiramente a Jesus Cristo, recebendo-o como Salvador e Senhor, através de uma vida marcada pelo abandono definitivo do pecado.
A partir desse momento, é necessário manter uma vida de vigilância e oração, permanecendo fiel a Cristo, para que o pecado não volte a entrar na vida daquele que decidiu segui-lo verdadeiramente.
A Palavra de Deus diz:
"De modo nenhum! Nós, que já estamos mortos para o pecado, como viveremos ainda nele?" (Romanos 6:2)
E também:
"Sê fiel até à morte, e dar-te-ei a coroa da vida." (Apocalipse 2:10)
Era isso que Deus queria falar com Afonso.
Se ele tivesse ouvido e compreendido verdadeiramente aquela mensagem, sua vida seria completamente transformada.
Aquela palavra poderia romper com seus padrões religiosos, com suas tradições e com tudo aquilo que estava preso apenas a uma forma humana de compreender a vida com Deus.
Isso poderia trazer conflitos com aqueles que permaneciam arraigados às tradições religiosas e à maneira de viver deste mundo.
Mas, ao mesmo tempo, geraria para Afonso experiências profindas com Deus: uma vida de oração, de comunhão e de verdadeira busca pela presença do Senhor, dons espirituais, certeza de salvação e muito mais.
Poderia levá-lo a conhecer mais profundamente a Palavra de Deus e a viver aquilo que Deus desejava para sua vida.
Afonso não seria conhecido apenas como um homem bom, honesto e trabalhador, mas como um homem santo, transformado pela verdade de Deus e profundo conhecedor da sua Palavra, alguém usado para anunciar a mensagem do Senhor.
Era isso que Deus queria falar com Afonso.
Afonso morreu com um conceito positivo diante do mundo.
As pessoas o reconheciam como um homem bom, honesto, trabalhador, dedicado à família e respeitado por todos.
Mas o mundo está afastado de Deus. O conceito do mundo não é o conceito de Deus.
Afonso precisava alcançar a aprovação de Jesus, para que, ao final da sua vida, pudesse estar de pé diante do Filho do Homem, conforme a palavra de Jesus:
"...e de estar em pé diante do Filho do homem." (Lucas 21:36)
Afonso não precisava ser reconhecido pelos homens. Precisava ser aprovado por Deus.
Um homem que abandona definitivamente o pecado, reconhece a Cristo como Salvador e Senhor, e mantém uma vida de vigilância e oração para que o pecado não volte a entrar em sua vida.
Conclusão
Caro leitor, a história de Afonso se aplica à vida de todos nós.
Deus tem falado à humanidade por meio da sua Palavra. Mas é preciso não fazer como Afonso fez. Não permitir que as tradições religiosas, as nossas próprias vontades e os padrões deste mundo impeçam que a Palavra de Deus seja ouvida, compreendida e aplicada à nossa vida.
É preciso ouvir, refletir e considerar a Palavra de Deus como o fundamento da vida, porque ouvir a Palavra de Deus é ouvir o próprio Deus.
Obedecer a Deus é reconhecer verdadeiramente o sacrifício de Jesus Cristo, recebendo-o como Salvador e Senhor, por meio de uma vida de abandono definitivo do pecado.
Sem obediência, sem fidelidade e sem o abandono definitivo do pecado, as pessoas podem considerar-se religiosas, boas e corretas diante dos homens, mas não estarão de pé diante de Jesus.
Por isso, Jesus nos chama a vigiar e orar. Esse chamado pressupõe que o homem já tenha abandonado definitivamente o pecado e feito uma aliança de fidelidade com Deus por meio de Jesus Cristo.
Vigiar significa permanecer em constante estado de alerta para que o pecado, que foi abandonado, não volte a entrar na vida daquele que decidiu seguir verdadeiramente a Cristo. A oração fortalece essa vigilância, sustentando o cristão em fidelidade até o fim.
Esta é a mensagem que Deus não falou apenas a Afonso, mas continua falando a cada um de nós.
Receba esta Palavra. Ouça a voz de Deus, reflita sobre ela e permita que ela transforme a sua vida. Não permita que as tradições religiosas, as suas próprias vontades ou os padrões deste mundo o impeçam de obedecer à vontade de Deus.
Abandone definitivamente o pecado, receba verdadeiramente Jesus Cristo como Salvador e Senhor, viva em vigilância e oração e permaneça fiel até o fim.
Assim, você estará preparado para enfrentar as tribulações que vierem e, ao final da sua vida, poderá estar de pé diante do Filho do Homem, aprovado diante de Jesus, conforme a sua própria Palavra.
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