Qual a Relação de Congregar e o seu Destino Eterno?
Texto base
1 Coríntios 14:26 — Que fazer, pois, irmãos? Quando vos reunis, cada um de vós tem salmo, tem doutrina, tem revelação, tem língua, tem interpretação. Seja tudo feito para edificação.
Introdução
O destino eterno é uma realidade que se estabelece, independente do interesse que tenhamos em conhecê-lo, e também independente de se entender a relação entre congregar e o destino eterno. Se alguém entender ou não esta relação, o destino eterno se estabelecerá independente de alguém ter entendido ou não. Porque morrer todos vamos morrer e não sabemos a hora. Portanto, destino eterno há. Por isso é importante que você saiba a respeito do destino eterno e da relação que tem com congregar. E é isso que nós vamos tratar, à luz da razão e das Escrituras. Esta verdade se estabelecerá, e em relação à pessoa, entender esta verdade e a partir deste conhecimento aplicá-lo ou não é uma decisão pessoal de cada pessoa. Mas o importante para aqueles que não rejeitam o conhecimento, a verdade vinda de Jesus, o texto é esclarecedor
Ponto 1 — O que é congregar e de onde vem esta determinação?
O ser humano só tem duas opções: ele pode viver de acordo com a sua vontade, ou pode viver de acordo com a vontade de Deus. Ele pode viver sem Deus, ou com Deus em sua vida. Porém, ele não pode viver da sua maneira e iludir-se, criando um suposto Deus que lhe agrade e que venha a trazer uma ilusão — no sentido de que ele vive a sua própria vida, mas ilude a sua consciência criando um deus, ou buscando crer em um deus que lhe agrade. Para que a pessoa viva com Deus, é preciso reconhecer Deus como Senhor da sua vida, como Dono, ou seja, como Deus da sua vida — Aquele que manda em sua vida.
Daí surge a próxima questão: quem é esse Deus que ele vai colocar na sua vida? O deus que ele cria, ou o Deus que se revela? E a revelação de Deus é estabelecida através da Bíblia. Não há outra revelação, não há outra fonte de revelação que reconheça o Deus da Bíblia. E o Deus da Bíblia se revela na pessoa de Jesus Cristo, porque Jesus Cristo é o Deus que veio ao mundo e se manifestou para revelar a vontade do Pai.
João 1:1-2,14 — No princípio era o Verbo, e o Verbo estava com Deus, e o Verbo era Deus. Ele estava no princípio com Deus. E o Verbo se fez carne, e habitou entre nós, e vimos a sua glória, glória como do Unigênito do Pai, cheio de graça e de verdade.
Estabelecida a verdade de que a Bíblia é a revelação de Deus, podemos então entender, com fundamento nela, o que é congregar e de onde vem esta determinação. A determinação vem de Deus. E o que isso implica? Implica que a não congregação é uma rebeldia a Deus, uma rebelião contra Ele. E assim, não configura o estabelecimento de Deus como Deus. Ou seja, o homem vive sem Deus, caso ele não se subordine à vontade de Deus.
João 3:36 — Quem crê no Filho tem a vida eterna; porém o que desobedece ao Filho não verá a vida, mas sobre ele permanece a ira de Deus.
O que é congregar?
Congregar é reunir-se com os irmãos em Cristo para adoração, ensino, comunhão, oração e fortalecimento da fé, em obediência à orientação de Deus.
1 Coríntios 14:26 — Que fazer, pois, irmãos? Quando vos reunis, cada um de vós tem salmo, tem doutrina, tem revelação, tem língua, tem interpretação. Seja tudo feito para edificação.
Com quem congregar?
A Bíblia não diz apenas que devemos congregar, mas ela dá critérios sobre com quem devemos congregar. O foco é a comunhão com os que permanecem na verdade de Cristo.
A congregação é baseada na comunhão, e a comunhão está ligada à Palavra de Deus. Ela não é apresentada como algo separado da doutrina; está ligada ao ensino de Cristo e dos apóstolos. Portanto, aquele que não permanece na doutrina de Cristo não tem Deus. E a Bíblia orienta a não receber e nem apoiar quem ensina outra doutrina.
Versículos que atestam isso:
2 João 1:9-11 — Todo aquele que vai além e não permanece na doutrina de Cristo não tem Deus; aquele que permanece na doutrina, esse tem tanto o Pai como o Filho. Se alguém vai até vós e não traz esta doutrina, não o recebais em casa, nem também o saudeis. Porque quem o saúda participa das suas más obras.
Atos 2:42 — E perseveravam na doutrina dos apóstolos, e na comunhão, e no partir do pão, e nas orações.
Tendo, portanto, o ser humano diante de duas condições — viver segundo a própria vontade, sem Deus, ou viver segundo a vontade de Deus —, a pessoa opta por ter Deus em sua vida, o que implica tê-Lo como Senhor. E em razão disso, decide seguir os ensinos de Jesus que estão na Bíblia, sendo batizada no batismo do arrependimento e congregando conforme a vontade de Deus.
📌 Ponto 2 — A Congregação, o Amor e a Verdade
A congregação possibilita a prática do amor, que é um marco no Evangelho, e também o estabelecimento da verdade. Pois está escrito: "Andarão dois juntos, se não estiverem de acordo?" (Amós 3:3). Assim, não se pode andar juntos sem concordância — e é na comunhão que a verdade se firma e o amor se exerce como deve ser.
João 13:34-35 — Um novo mandamento vos dou: Que vos ameis uns aos outros; como eu vos amei, que também vos ameis uns aos outros. Nisto todos conhecerão que sois meus discípulos, se vos amardes uns aos outros.
Só pode haver comunhão com a verdadeira Igreja se houver comunhão e andarmos na luz — na luz que representa andar na Palavra de Deus, porque a Palavra de Deus é luz. Só assim, havendo comunhão e andando na luz, haverá salvação. Só assim o sangue de Jesus Cristo nos purificará de todo o pecado, como diz a Escritura:
1 João 1:7 — Mas, se andarmos na luz, como ele está na luz, temos comunhão uns com os outros, e o sangue de Jesus Cristo, seu Filho, nos purifica de todo pecado.
A responsabilidade pela doutrina — individual, da Igreja e de seus líderes
A Bíblia ensina que a Igreja é formada por aqueles que pertencem a Cristo: aquele que ouve o Evangelho, crê em Cristo e é batizado passa a fazer parte da comunidade dos discípulos, perseverando na doutrina, na comunhão e nas reuniões da Igreja como Igreja.
Atos 2:41-42 — De sorte que foram batizados os que de bom grado receberam a sua palavra; e naquele dia agregaram-se quase três mil almas; e perseveravam na doutrina dos apóstolos, e na comunhão, e no partir do pão, e nas orações.
A congregação é, portanto, parte da Igreja reunida, sem perder seu vínculo com a Igreja como um todo. É nesse contexto de comunhão que os cristãos praticam a fé, permanecem na doutrina e edificam uns aos outros em amor.
Cada cristão é, individualmente, responsável pela doutrina. A responsabilidade pela verdade não pode ser transferida para outra pessoa. Cada indivíduo corresponde pessoalmente diante de Deus por aquilo que crê e pratica.
Romanos 14:12 — Assim, pois, cada um de nós dará conta de si mesmo a Deus.
Por isso, cada cristão deve examinar o ensino recebido à luz das Escrituras. Foi exatamente isso que fizeram os bereanos:
Atos 17:10-11 — E logo os irmãos enviaram de noite Paulo e Silas a Bereia; e, chegando eles, foram à sinagoga dos judeus. Ora, estes foram mais nobres do que os que estavam em Tessalônica, porque de bom grado receberam a palavra, examinando cada dia as Escrituras, se estas coisas eram assim.
Assim, mesmo recebendo o ensino de seus líderes, cada cristão permanece responsável por verificar a fidelidade à Palavra de Deus.
A Igreja também tem responsabilidade pela doutrina. Cristo é quem estabelece a doutrina; a Igreja não cria uma doutrina própria, mas reconhece, preserva, defende e divulga a doutrina de Cristo.
1 Timóteo 3:15 — …a Igreja do Deus vivo, coluna e baluarte da verdade.
A congregação, como parte da Igreja reunida, participa dessa responsabilidade, permanecendo unida e vinculada à verdade que pertence a todo o corpo de Cristo.
A Igreja estabelece seus líderes dentro de si. São aqueles que recebem uma responsabilidade específica pelo cuidado do rebanho e pelo ensino da Palavra — os presbíteros.
Atos 14:23 — E, promovendo-lhes em cada igreja a eleição de presbíteros, depois de orar com jejuns, os encomendaram ao Senhor em quem haviam crido.
A liderança, portanto, eleita pela Igreja, não está acima da Igreja, nem acima da doutrina de Cristo. Os presbíteros são eleitos pela Igreja para servi-la, cuidar do rebanho e zelar pela fidelidade à Palavra de Deus.
Um exemplo claro dessa responsabilidade está em Atos 15. Surgiu uma divergência doutrinária: alguns ensinavam que os gentios precisavam ser circuncidados e guardar a Lei de Moisés para serem salvos. Diante desse ensino, os apóstolos, os presbíteros e toda a Igreja se reuniram para tratar da questão.
Atos 15:22 — Então pareceu bem aos apóstolos e aos presbíteros, com toda a Igreja…
A questão foi examinada, o erro foi rejeitado e a verdade do Evangelho foi preservada e comunicada às demais igrejas.
📌A Igreja dos Últimos Dias e Seus Erros
Muitos que hoje se dizem Igreja, na verdade afrontam aquilo que a Bíblia determina em relação à Igreja, à comunhão e à congregação. Vemos hoje nas igrejas uma liderança absoluta: um único líder, comumente chamado de pastor, que concentra poder sobre toda a assembleia, administrando tudo de forma que ele mesmo detém a última palavra em todas as decisões.
Quando na verdade a Igreja foi estabelecida de forma participativa, onde ela própria deveria eleger os seus presbíteros, o que vemos é o líder principal nomeando aqueles que lhe servem de confiança — os seus comandados — e estabelecendo a sua própria sucessão. Geralmente, ao sair, é um membro da família que continua no cargo. Dessa forma, não se aplica a eleição pela Igreja, nem a participação da assembleia nas decisões: tudo é decidido de forma pessoal e unilateral pelo líder.
Estes erros contam com a anuência da Igreja, seja de forma deliberada, passiva ou omissa. Quando a Igreja se presta a aceitar esse tipo de prática, ela está participando dos erros e passa a compor a Igreja que afronta a Palavra de Deus.
Em relação à questão doutrinária, também se estabelece de forma semelhante: aqueles que questionam uma doutrina incorreta não têm a questão levada à Igreja para exame — ao contrário, são calados, impedidos de questionar e, por vezes, induzidos ou aconselhados a simplesmente deixarem a congregação e buscarem outra. Todo esse procedimento é aceito, desconhecido, ou ainda condescendente por parte da Igreja — como se ela passasse a mão por cima de tudo. E assim, toda a Igreja pactua com essa afronta à Bíblia.
Mateus 20:25-26 — Jesus, porém, chamando-os a si, disse: Sabeis que os príncipes dos gentios os dominam, e os que são grandes exercem autoridade sobre eles. Não será assim entre vós; antes, quem entre vós quiser tornar-se grande, será vosso servo.
Conclusão
Qual a relação de congregar e o destino eterno? Toda esta mensagem nos levou a responder esta pergunta fundamental, que não é apenas uma questão de conhecimento, mas de vida e de eternidade.
Vimos que o destino eterno é uma realidade que se estabelece, independente do nosso interesse ou entendimento. E vimos também que congregar não é um costume opcional, mas uma determinação que vem de Deus — uma resposta de fé daquele que O reconhece como Senhor, que crê em Jesus Cristo e que se submete à Sua vontade. Congregar é estar em comunhão com os irmãos na verdade, é perseverar na doutrina, é andar na luz da Palavra de Deus. E é justamente nessa comunhão obediente que o crente é edificado, fortalecido e preparado para a vida eterna. Não se pode separar a obediência de congregar do destino eterno, pois a forma como respondemos ao chamado de Deus nesta vida revela a quem verdadeiramente pertencemos.
Por isso, os erros dos últimos dias — a liderança que se levanta acima da Igreja, a doutrina que se afasta da verdade, o silenciamento daqueles que buscam a correção — não são apenas desvios de organização: são laços para a alma. Pois quem não permanece na doutrina de Cristo não tem Deus, e quem desobedece ao Filho não verá a vida. Cada um é responsável por examinar o ensino e por decidir diante de Deus: a quem eu obedecerei? Com quem eu me congregarei?
Portanto, a relação entre congregar e o destino eterno é clara e profunda: congregar segundo a vontade de Deus, na verdade e na comunhão dos santos, é expressão de uma fé que já pertence ao Reino eterno. E cada decisão que tomamos nesta vida — de receber ou rejeitar a verdade, de obedecer ou não ao chamado de congregar — tem consequência eterna. Que, conhecendo esta verdade, não a rejeitemos, mas a vivamos com fidelidade, sabendo que aquele que crê e obedece ao Filho tem a vida eterna.
Apelo
Caro amigo leitor, diante da realidade bíblica, cabe a você uma decisão. Você precisa decidir-se por colocar Deus como Senhor da sua vida, reconhecendo que diante de você existem duas possibilidades: viver segundo a sua própria vontade, sem Deus, ou viver segundo a vontade de Deus. E assim, decidir-se por seguir a Bíblia e os ensinos de Jesus, sendo batizado no batismo do arrependimento e congregando conforme a vontade de Deus.
A congregação, porém, não pode ser feita de forma incorreta, contrária àquilo que Jesus diz. É preciso que você aplique na sua forma de congregar aquilo que a Bíblia orienta. Você deve examinar tudo, identificar aquilo que se opõe à Palavra de Deus e não aceitar o erro por omissão ou por tradição humana. Se, ao examinar, você perceber que a condução da igreja onde está não está de acordo com a Palavra de Deus, você deve buscar a congregação com aqueles que realmente estão em conformidade com a Bíblia, afastando-se daquilo que contraria a Escritura, para que não participe das obras deles.
Portanto, a decisão é sua: congregar conforme a orientação da Palavra de Deus, permanecendo na verdade, examinando tudo e sendo fiel àquilo que Cristo e os apóstolos ensinaram. Pois a forma como você responde a este chamado tem consequência para a sua vida e para a sua eternidade.
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