COMO É FORMADO O SEU CARÁTER E COMPORTAMENTO ?
Introdução
Todo ser humano possui um caráter, uma forma de pensar e um modo de viver.
Mas ninguém cria a si mesmo.
Todos são formados por uma estrutura que já existia antes de nascerem.
A grande pergunta não é se estamos sendo influenciados.
A grande pergunta é: quem está nos influenciando?
PONTOS
1. Deus criou a estrutura original
No princípio, Deus criou uma ordem perfeita.
Criou o homem, a mulher, a família, o trabalho e tudo o que era necessário para a vida.
O centro dessa estrutura era Deus.
Ela foi estabelecida sobre obediência, adoração e reconhecimento da autoridade do Criador.
“E criou Deus o homem à sua imagem; à imagem de Deus o criou; macho e fêmea os criou.” Gênesis 1:27
2. O pecado produziu uma nova estrutura
Quando o homem pecou, rompeu com a ordem criada por Deus.
A humanidade passou a viver segundo um sistema afastado do propósito original.
Essa estrutura forma as pessoas através da cultura, da educação, das religiões, das filosofias, das ideologias e de todas as influências presentes no mundo.
Segundo a Bíblia, esse sistema encontra-se sob influência espiritual contrária a Deus.
“Pelo que, como por um homem entrou o pecado no mundo, e pelo pecado a morte, assim também a morte passou a todos os homens.”
Romanos 5:12
3. Todo ser humano é formado por essa estrutura
Ninguém nasce neutro.
Todos aprendem a pensar, acreditar e viver a partir das influências que recebem.
Por isso existem tantas crenças, comportamentos, valores e visões diferentes sobre a vida.
O homem é produto daquilo que o forma.
“No qual andastes outrora, segundo o curso deste mundo…”
Efésios 2:2
4. Deus revelou Sua verdade ao homem
Se Deus não se revelasse, o homem jamais poderia conhecê-Lo.
Por isso Deus deu Sua Palavra.
A Bíblia não apresenta apenas ideias sobre Deus.
Ela afirma ser a revelação de Deus ao homem.
Sem essa revelação, a humanidade continuaria seguindo as influências da estrutura do mundo, que a mantém afastada da estrutura original estabelecida pelo Criador.
“Lâmpada para os meus pés é a tua palavra e luz para o meu caminho.”
Salmos 119:105
5. O centro da Bíblia é Jesus Cristo
A Bíblia não aponta para uma religião.
Ela aponta para Cristo.
Jesus revela perfeitamente o caráter de Deus e o padrão que o homem deveria refletir.
“Disse-lhe Jesus: Eu sou o caminho, e a verdade e a vida; ninguém vem ao Pai, senão por mim.”
João 14:6
6. O novo nascimento
O cristianismo não é apenas mudança de comportamento.
É um novo nascimento.
Por meio de Cristo, Deus começa a transformar o homem de dentro para fora.
O caráter deixa de ser moldado pelo mundo e passa a ser moldado por Cristo.
“O que é nascido da carne é carne, e o que é nascido do Espírito é espírito.
Não te maravilhes de eu te haver dito: Necessário vos é nascer de novo.”
João 3:6-7
7. A impossibilidade de mistura e a autoridade final
A vida humana sempre é conduzida por uma referência final de verdade.
Não é possível caminhar simultaneamente sob duas autoridades absolutas e contraditórias.
Ou o homem é formado pela estrutura do mundo, ou é formado pela revelação de Deus.
Por isso, não existe neutralidade espiritual ou moral definitiva.
"Ninguém pode servir a dois senhores."
Mateus 6:24
“Não ameis o mundo, nem o que no mundo há. Se alguém ama o mundo, o amor do Pai não está nele.”
1 João 2:15
8. A revelação de Deus como padrão absoluto e o confronto com a estrutura do mundo
A Bíblia se apresenta como a revelação direta de Deus ao homem, não como uma coleção de ideias humanas, mas como a expressão da vontade divina para formação do caráter e do comportamento humano.
Ela se comprova como Palavra de Deus pela sua unidade ao longo da história, pela coerência entre seus autores em diferentes épocas, pelo cumprimento de profecias e pela permanência de sua mensagem através dos séculos, mesmo diante de oposição e mudanças culturais.
"Toda a Escritura é divinamente inspirada por Deus..."
2 Timóteo 3:16
Além disso, ela é capaz de transformar comportamentos profundamente enraizados no mundo, rompendo padrões antigos de vida e estabelecendo novos padrões fundamentados na própria Palavra de Deus.
Essa transformação não é superficial, mas profunda, pois atinge o interior do homem e produz uma mudança real de caráter e comportamento, saindo de uma formação moldada pelo mundo para uma formação moldada por Deus.
É uma mudança de natureza, comparável a uma transformação completa de vida, uma mudança da água para o vinho, na qual aquilo que era natural segundo a estrutura do mundo é substituído por uma nova forma de viver segundo a revelação divina.
A partir dessa revelação, o homem não recebe apenas informação, mas direção de vida, padrão moral e formação de caráter segundo Deus.
Dessa forma, qualquer influência que não esteja alinhada a essa revelação passa a pertencer ao sistema de formação do mundo.
A própria Escritura descreve esse sistema como uma estrutura sob influência espiritual contrária a Deus, na qual atua uma autoridade espiritual de oposição ao propósito divino.
"O deus deste século cegou os entendimentos dos incrédulos..."
2 Coríntios 4:4
"O mundo inteiro jaz no maligno."
1 João 5:19
Assim, a decisão do homem não é apenas entre ideias diferentes, mas entre duas fontes de formação: a revelação de Deus ou a estrutura do mundo.
9. As características dos segmentos de comportamento da estrutura do mundo
Dentro da estrutura do mundo, existem diversos segmentos de comportamento humano.
O ser humano, ao longo da história e sob diferentes influências culturais, sociais e espirituais, desenvolve formas variadas de pensar, agir e viver.
Há comportamentos voltados para diferentes direções, como padrões de vida relacionados à sexualidade, à agressividade, à busca de prazer, à religiosidade e a muitas outras expressões da experiência humana.
Esses comportamentos não são estáticos.
Eles se moldam, se adaptam e se transformam com o tempo, de acordo com as influências que recebem e com os ambientes em que se desenvolvem.
Por isso, é possível observar na sociedade uma grande diversidade de comportamentos, todos eles distantes de um padrão racional consistente e estável.
Dentro dessa diversidade, existem ainda comportamentos que são percebidos como completamente fora da razão até mesmo por aqueles que estão inseridos na própria estrutura do mundo, sendo reconhecidos socialmente como excessos, desvios ou formas extremas de conduta.
Além disso, existe também uma mistura de comportamentos e valores dentro desse sistema, onde diferentes referências são combinadas na formação do indivíduo.
Dentro dessa mistura, muitas vezes surge a tentativa de buscar algum fundamento moral, religioso ou até mesmo uma referência a Deus como forma de sustentação do comportamento.
No entanto, quando esse fundamento religioso não permanece puro, isto é, quando é misturado com a estrutura de pensamento do mundo, ele passa a ser apenas mais um segmento dentro do próprio ecossistema da estrutura do mundo.
Isso acontece porque o comportamento moldado pela estrutura do mundo absorve tudo aquilo que entra nele, reorganizando essas influências dentro da sua própria lógica.
Como vimos anteriormente, não existe a possibilidade de mistura entre estruturas de autoridade absoluta.
A tentativa de unir diferentes fundamentos de formação gera inconsistência, porque ou o comportamento humano está sendo moldado pela estrutura do mundo, ou está sendo moldado pela revelação de Deus.
Para que a revelação de Deus seja realmente aquilo que ela é, ela precisa existir como autoridade absoluta e exclusiva na formação do caráter e do comportamento humano.
Sem essa autoridade absoluta, ela deixa de ser o padrão de vida que identifica o homem como pertencente ao Reino de Deus.
É por isso que a revelação bíblica não pode ser reduzida a mais um elemento dentro do sistema humano, pois ela não é apenas um complemento, mas o fundamento que estabelece uma nova realidade de governo: o Reino de Deus.
"Desde os dias de João Batista até agora, o Reino dos céus é tomado por esforço, e os que se esforçam se apoderam dele."
Mateus 11:12
"Porque o Reino de Deus não é comida nem bebida, mas justiça, paz e alegria no Espírito Santo."
Romanos 14:17
10. O pecado como raiz da estrutura do mundo
Todo o sistema de comportamentos humanos que observamos na estrutura do mundo tem uma origem comum: o pecado.
O pecado não é apenas um ato isolado do homem, mas um princípio de ruptura com Deus que passou a determinar a forma de pensar, agir e viver da humanidade.
Por isso, toda estrutura de comportamento que existe fora da revelação de Deus está, em sua raiz, ligada a esse princípio de afastamento, ou seja, ao próprio pecado, entendido como a condição do homem separado da direção e da autoridade total de Deus.
Como vimos anteriormente, existem diferentes comportamentos, inclusive aqueles que possuem aparência de religiosidade, linguagem espiritual e até práticas associadas à fé cristã.
Em alguns casos, há sincretismo, ou seja, mistura de ideias e referências, onde elementos bíblicos são incorporados ao comportamento, mas sem uma base única e absoluta de submissão à revelação de Deus.
Em outros casos, há comportamentos que chegam a estar fortemente associados ao ambiente religioso cristão, incluindo práticas, discursos e até manifestações espirituais, mas que ainda assim não estão necessariamente fundamentados na essência da revelação de Deus.
No entanto, a base que forma o caráter e o comportamento não está na aparência externa, nem na linguagem utilizada, mas na verdadeira submissão à revelação de Deus, que se expressa no reconhecimento do sacrifício de Jesus Cristo como única base de reconciliação com Deus e na necessidade de abandono definitivo do pecado como ruptura com a antiga estrutura de vida.
Quando isso não ocorre de forma real e absoluta, mesmo um comportamento que se apresenta como religioso, bíblico ou até envolvido com dons espirituais ainda permanece pertencente à estrutura do mundo, porque não está fundamentado na autoridade absoluta de Deus.
Isso acontece porque o pecado não é apenas uma prática, mas um princípio que organiza o pensamento humano fora da autoridade de Deus.
E é esse princípio que originou toda a estrutura do mundo como sistema de formação do homem.
Por isso, o pecado não apenas influencia comportamentos isolados, mas estabelece o fundamento sobre o qual a estrutura do mundo se sustenta.
E dentro desse contexto, a autoridade de Deus não pode ser parcial ou relativa. Ela precisa ser absoluta, porque somente uma autoridade absoluta pode definir de forma verdadeira o caráter e o destino do homem.
Se essa autoridade é relativizada, mesmo um comportamento religioso passa a ser apenas mais um segmento dentro da estrutura do mundo.
A Escritura alerta para essa realidade ao mostrar que nem todo comportamento que invoca o nome de Deus representa submissão real à Sua vontade:
"Nem todo o que me diz: Senhor, Senhor, entrará no Reino dos céus, mas aquele que faz a vontade de meu Pai."
Mateus 7:21
"E então lhes direi abertamente: nunca vos conheci; apartai-vos de mim, vós que praticais a iniquidade."
Mateus 7:23
Dessa forma, a diferença não está na aparência do comportamento, nem em práticas externas ou linguagem religiosa, mas na natureza real do ser humano. A base de uma natureza verdadeiramente transformada e divina está no reconhecimento do sacrifício de Jesus Cristo como único meio de reconciliação com Deus e no abandono definitivo do pecado, já que o pecado foi a causa da sua morte e a origem de toda a estrutura do mundo, comandada pela oposição a Deus, isto é, por Satanás e seus anjos, bem como por todos aqueles que permanecem sob a estrutura do mundo, não libertos do pecado.
"Quem comete pecado é do diabo, porque o diabo peca desde o princípio. Para isto o Filho de Deus se manifestou: para desfazer as obras do diabo."
Conclusão
Todos estão sendo formados por alguma estrutura.
Nenhuma pessoa vive sem ser moldada por algo: ou pela estrutura do mundo ou pela verdade de Deus.
Todo o raciocínio apresentado aponta para uma raiz central: o pecado, entendido como o afastamento da direção e da autoridade total de Deus, que deu origem à estrutura do mundo e passou a formar o comportamento humano a partir dessa condição.
Por isso, a solução não está em ajustes de comportamento, moral ou práticas religiosas. A solução é o abandono definitivo do pecado.
A partir desse abandono, o homem recebe uma nova natureza diante de Deus.
E assim rompe definitivamente com a estrutura do mundo, passando a assumir uma nova vida diante de Deus, que vai sendo desenvolvida e crescendo continuamente no conhecimento de Deus.
A decisão, portanto, é clara e direta: ou a pessoa abandona definitivamente o pecado, recebe uma nova natureza e passa a viver essa nova vida com Deus, ou permanece na estrutura do mundo, ainda que esteja envolvida com as coisas de Deus.
Não existe posição intermediária entre essas duas realidades.
