Onde investir a sua vida?
Versículo base — Lucas 12:19-20
“E direi à minha alma: Alma, tens em depósito muitos bens para muitos anos; descansa, come, bebe e folga. Mas Deus lhe disse: Louco, esta noite te pedirão a tua alma, e o que tens preparado para quem será?”
Introdução
Investir é aplicar aquilo que temos com o objetivo de obter rendimentos e produzir frutos.
Muitas pessoas investem em móveis, outras investem na carreira profissional, outras aplicam seu dinheiro em investimentos bancários ou em negócios que possam trazer lucros. Há também aqueles que não se preocupam em investir, vivendo apenas o presente, sem pensar no futuro.
Mas existe uma pergunta muito mais importante do que saber onde aplicamos o nosso dinheiro: em que você tem investido a sua vida?
Essa é uma reflexão necessária, porque a vida também envolve escolhas, prioridades e investimentos. Cada decisão que tomamos, cada atitude que praticamos e cada caminho que escolhemos contribuem para o resultado que colheremos.
Ao final da vida, cada pessoa terá de lidar com as consequências de suas escolhas e também com aquilo que deixou de fazer. Não se trata apenas dos frutos daquilo em que investimos, mas também das consequências de não termos investido naquilo que realmente importa.
Por isso, precisamos refletir e decidir: onde estamos investindo a nossa vida?
1. AS OPÇÕES DE INVESTIMENTO
Existem diferentes maneiras de investir, mas nem todo investimento é bom. Há investimentos de alto risco, nos quais uma pessoa pode perder tudo o que aplicou. Há também pessoas que não se preocupam em investir e, quando surgem dificuldades ou imprevistos, descobrem que não estavam preparadas para enfrentá-los.
Além disso, uma pessoa pode investir bem ou mal. Muitas vezes, por falta de conhecimento, ela toma decisões equivocadas e só percebe o erro quando já sofreu suas consequências.
Da mesma forma, a nossa vida é um bem que recebemos de Deus, e precisamos buscar conhecimento para saber qual é a melhor maneira de vivê-la. Caso contrário, poderemos sofrer as consequências da nossa ignorância a respeito de como investir esse bem tão precioso.
O investimento de um homem aparentemente sensato
Lucas 12:19-20
“E direi à minha alma: Alma, tens em depósito muitos bens para muitos anos; descansa, come, bebe e folga. Mas Deus lhe disse: Louco, esta noite te pedirão a tua alma, e o que tens preparado para quem será?”
Observe a situação desse homem. Ele havia trabalhado, se esforçado e conseguido acumular bens. Agora, diante dos recursos que possuía, fazia planos para o futuro. Queria desfrutar do resultado do seu trabalho, viver com tranquilidade e ter condições de descansar, comer, beber e aproveitar a vida.
Do ponto de vista humano, o que há de errado nisso? Afinal, trabalhar, economizar, investir os recursos e planejar o futuro são atitudes que muitas pessoas consideram sensatas. Enquanto alguns vivem sem pensar no amanhã, aquele homem estava preocupado com os anos que viriam. Ele não queria apenas viver o presente; queria também garantir o seu bem-estar futuro. Porém o homem natural não entende as coisas de Deus.
Coríntios 2:14:
“Ora, o homem natural não compreende as coisas do Espírito de Deus, porque lhe parecem loucura; e não pode entendê-las, porque elas se discernem espiritualmente.”
Entretanto, é nesse ponto que surge o contraste surpreendente da parábola: enquanto aquele homem considerava seus planos sensatos, Deus o chamou de louco.
Por que Deus usou uma expressão tão forte para se referir a alguém que, aparentemente, estava apenas fazendo o que tantas outras pessoas fazem?
Precisamos compreender o significado dessa palavra no contexto. Louco, aqui, é aquele que pensa e age sem a devida consideração pela realidade, que não percebe a gravidade de sua situação e que, por isso, conduz a própria vida de maneira insensata.
Imagine alguém que planeja minuciosamente os próximos vinte anos, calcula seus rendimentos, organiza seus bens e prepara tudo para desfrutar uma velhice tranquila. Contudo, essa pessoa ignora uma questão fundamental: ela não tem o poder de garantir que estará viva amanhã.
Seria sensato planejar tantos anos sem considerar essa possibilidade? Seria razoável preparar-se para o futuro e ignorar uma realidade capaz de interromper todos os seus planos?
É justamente isso que torna tão forte a expressão usada por Deus. Aquele homem não compreendia a realidade da vida sob a perspectiva de Deus. Ele havia estabelecido um propósito para sua existência, mas esse propósito estava limitado a esta vida. Seu planejamento era voltado para o futuro terreno, e não para a vida eterna.
Deus lhe disse:
“Louco, esta noite te pedirão a tua alma, e o que tens preparado para quem será?”
O homem estava investindo no seu futuro nesta vida, e não na vida eterna.
Você pode trabalhar, estudar, pensar no futuro e fazer tudo o que considera bom. Porém, se fizer essas coisas para si mesmo, e não para Deus, estará vivendo fora do propósito para o qual foi criado. Por isso, tudo o que fizer estará contaminado pelo pecado, ainda que aos seus olhos pareça bom.
É isso que Paulo nos ensina em Tito 1:15 (ARC):
“Todas as coisas são puras para os puros, mas nada é puro para os contaminados e infiéis; antes, o seu entendimento e consciência estão contaminados.”
Quando o entendimento e a consciência estão contaminados, tudo o que vem deles também está contaminado. O problema não está apenas naquilo que você faz, mas em para quem você vive. Se você vive para si mesmo, suas ações nascem dessa escolha. Mas, se vive para Deus, sua vida passa a ser dirigida pela vontade dele.
“Portanto, quer comais quer bebais, ou façais outra qualquer coisa, fazei tudo para glória de Deus.” 1 Coríntios 10:31
Tudo o que você fizer, se não for para que Deus seja glorificado e a vontade dele seja cumprida, é pecado, porque a fonte de suas ações continua contaminada. Enquanto você viver para realizar os seus próprios desejos, ainda que os considere bons, continuará no mesmo desvio: vivendo para si mesmo, em vez de viver para Deus. Assim, você nega a soberania de Deus e o direito que ele tem de dirigir a sua vida. Cristo morreu para nos resgatar dessa maneira de viver, mas é necessário entregar a vida a ele, deixando de viver para si mesmo e passando a viver para aquele que morreu e ressuscitou por nós.
2 Coríntios 5:15 (ARC)
“E ele morreu por todos, para que os que vivem não vivam mais para si, mas para aquele que por eles morreu e ressuscitou.”
2. A DECISÃO
Aquele homem pensava em construir celeiros maiores, guardar seus bens e desfrutar o futuro. Queria descansar, comer, beber e aproveitar a vida.
Muitas pessoas pensam da mesma maneira. Acreditam que Deus lhes deu a vida para que possam realizar seus sonhos, satisfazer suas vontades e encontrar a felicidade vivendo da maneira que desejam. Assim, constroem sua maneira de viver de acordo com aquilo em que acreditam, inclusive com o conceito que têm de Deus. Podem até ser religiosas, orar, ler a Bíblia e frequentar uma igreja, mas continuar vivendo para realizar a própria vontade, acreditando que estão no caminho certo.
Foi assim com aquele homem, até que Deus lhe disse:
“Louco, esta noite te pedirão a tua alma, e o que tens preparado para quem será?” (Lucas 12:20)
Deus não lhe disse que precisava fazer alguns ajustes em seus planos ou mudar determinadas atitudes. Chamou-o de louco porque ele estava vivendo para si mesmo, sem compreender o propósito para o qual havia sido criado.
O homem precisa morrer para si mesmo e nascer de novo, deixando de viver para realizar a própria vontade e passando a viver exclusivamente para realizar a vontade de Deus. É uma mudança radical na direção da vida, como Jesus declarou:
João 3:3
“Jesus respondeu e disse-lhe: Na verdade, na verdade te digo que aquele que não nascer de novo não pode ver o Reino de Deus.”
Mas, diante da palavra de Deus, que decisão aquele homem tomaria? Continuaria preocupado em descansar, aproveitar a vida e realizar seus planos, ignorando aquilo que Deus lhe dizia? Ou abandonaria a sua própria vida para agora viver a vida de Deus?
Essa é uma decisão que todo ser humano precisa tomar: morrer para si mesmo, para a própria vontade, que procede de sua natureza, e passar a viver exclusivamente para a vontade de Deus. Isso é o novo nascimento: deixar de viver para si mesmo e começar a viver para Deus.
Essa decisão não diz respeito apenas àqueles que não acreditam em Deus ou que nunca leram a Bíblia. Há pessoas que acreditam em Deus, leem a Bíblia, oram e procuram seguir muitos dos ensinamentos de Jesus, mas ainda não morreram para si mesmas. Continuam buscando dirigir a própria vida, fazendo prevalecer suas vontades, em vez de se submeterem inteiramente à vontade de Deus.
Mas o que impede o ser humano de tomar essa decisão? O que o impede de renunciar à própria vontade e entregar a direção de sua vida a Deus?
O orgulho.
O orgulho leva o ser humano a querer dirigir a própria vida, a não abrir mão de sua vontade e a não entregar a Deus a direção de sua existência. Ele ainda quer decidir e escolher como viver, mantendo para si o controle da própria vida. Esse é o princípio da rebelião de Satanás contra Deus: o desejo de que sua própria vontade prevaleça, o desejo de ser dono de sua vida. E há quem procure esconder essa realidade por trás de uma vida religiosa, acreditando que está tudo bem porque crê em Deus, ora, lê a Bíblia ou segue alguns ensinamentos de Jesus.
Esse orgulho produz engano, e a pessoa passa a acreditar que está tudo bem com sua vida, mesmo quando continua vivendo para si mesma e não para Deus. Foi o que aconteceu com aquele homem. Ele fazia planos para o futuro, imaginava que teria muitos anos para desfrutar seus bens e ignorava a realidade de que sua vida terminaria naquela mesma noite.
Da mesma maneira, muitos continuam vivendo sem dar ouvidos à Palavra de Deus, acreditando que estão no caminho certo, talvez porque creiam em Deus, sejam religiosos ou procurem seguir alguns ensinamentos de Jesus. Entretanto, ainda não renunciaram à própria vontade nem se submeteram inteiramente à vontade de Deus. Não morreram para o orgulho nem para a própria vontade.
A morte, porém, chegará a qualquer momento. E muitos descobrirão tarde demais que escolheram dirigir a própria vida, negando a Deus o direito de governá-la. Acreditavam ser boas pessoas, pensavam estar vivendo corretamente, mas estavam enganadas.
E, no inferno, saberão que eram loucas. Ali estarão completamente perdidas, enfrentando o sofrimento e a condenação, sem possibilidade de voltar atrás e tomar a decisão que recusaram enquanto estavam vivas.
3. CONCLUSÃO
Deus chamou aquele homem de louco. Isso significa que ele estava condenado. Ele morreria sem estar preparado para se apresentar diante de Deus. E não porque fosse necessariamente um assassino, um drogado ou um bêbado. Aquele homem poderia até ser religioso, frequentar uma igreja, orar, adorar a Deus e ter seus próprios conceitos sobre Deus, sobre a ética e sobre a moral. Ainda assim, Deus o chamou de louco.
A salvação exige arrependimento, e o arrependimento exige que o ser humano reconheça sua verdadeira condição diante de Deus: sua maldade, seu pecado, sua loucura e sua perdição. Quem não reconhece que está perdido não compreende por que precisa ser salvo. Quem não reconhece sua loucura não compreende por que precisa ser transformado por Deus.
Jesus declarou:
João 8:32
“E conhecereis a verdade, e a verdade vos libertará.”
Mas o orgulho impede o ser humano de reconhecer essa verdade. É por isso que tantas pessoas permanecem enganadas, mesmo quando acreditam estar vivendo corretamente.
4. APELO
Meu amigo, o orgulho é a natureza que caracterizou a rebelião do diabo contra Deus. É o orgulho que leva o ser humano a querer dirigir a própria vida, fazer prevalecer sua vontade e resistir à submissão completa a Jesus.
Se você não eliminar o orgulho de sua vida, continuará preso à mesma disposição de rebeldia contra Deus, será enganado pelo diabo e caminhará para a condenação. Poderá ter uma vida religiosa, frequentar uma igreja, orar, adorar a Deus e seguir princípios éticos e morais. Mas, se não reconhecer sua maldade, seu pecado, sua loucura e sua perdição, não se arrependerá verdadeiramente nem compreenderá a necessidade de morrer completamente para o velho homem.
O orgulho impede o ser humano de humilhar-se diante de Deus e reconhecer que precisa abandonar inteiramente sua antiga maneira de viver. Por isso, algumas pessoas até mudam suas atitudes, mas ainda conservam resquícios de orgulho e resistem à morte completa do velho homem. Não compreenderam que precisam nascer de novo e tornar-se novas criaturas.
Meu amigo, se você não reconhecer que está perdido, não buscará a salvação. Se não reconhecer sua loucura, não compreenderá a necessidade de ser transformado. E, se o orgulho impedir você de se arrepender e entregar completamente sua vida a Jesus, morrerá condenado.
No inferno, compreenderá que era louco e estava perdido, ainda que durante a vida tivesse sido religioso e procurado seguir princípios éticos e morais. Mas então será tarde demais para arrepender-se e mudar o rumo de sua vida.
A vontade do homem o escraviza, a vontade de Deus o liberta. Portante que a sua vida seja Deus e não para si.
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