O diagnóstico e o remédio negligenciados
Eduardo Menezes tinha 63 anos.
Era um homem alto, perto de um metro e oitenta, corpo firme para a idade, resultado de anos de academia levados a sério. Os cabelos já denunciavam o tempo, mas sem rendição completa: grisalhos nas laterais, ainda densos no topo. Vestia-se bem, falava com segurança e andava como quem sabe para onde vai. Nada nele sugeria fragilidade.
Era casado, pai de três filhos já adultos, e sustentava a casa não apenas com dinheiro, mas com autoridade silenciosa. Trabalhava como consultor empresarial, dono de um escritório respeitado. Vivia entre reuniões, contratos e decisões que afetavam empresas inteiras. Resolver problemas era sua profissão — e, talvez por isso mesmo, não admitia a ideia de ser um problema a ser resolvido.
Sentia-se bem. Muito bem. Treinava quase todos os dias, não tinha dores, não se cansava facilmente. Para ele, saúde era isso: funcionar. E ele funcionava.
A família, porém, não pensava assim. Não por pânico, mas por prudência. Sessenta e três anos não passam ilesos, diziam. Um check-up não custa nada, insistiam. Eduardo reagia com impaciência educada: tempo perdido, dinheiro desperdiçado, alarmismo desnecessário. Sua agenda estava cheia demais para preocupações abstratas.
Cedeu apenas quando a insistência se tornou constante. Foi ao médico como quem cumpre uma formalidade.
Os exames iniciais não gritaram perigo, mas também não trouxeram tranquilidade plena. O médico observou, releu, pediu mais atenção a alguns pontos. Não falou em doença, não falou em urgência. Falou em cautela. Sugeriu exames mais profundos. Por segurança — só por segurança — prescreveu um medicamento temporário, preventivo, até que tudo fosse esclarecido.
Eduardo ouviu, assentiu e saiu.
A receita foi dobrada com cuidado e guardada no bolso. Os exames adicionais ficaram para depois. Muito depois. Havia reuniões marcadas, decisões urgentes, compromissos inadiáveis. Afinal, ele se sentia bem. E, na lógica de Eduardo Menezes, sentir-se bem era prova suficiente de que estava tudo bem.
Ele voltou à rotina com a mesma confiança de sempre, certo de que aquele aviso discreto não passava de excesso de zelo. O tempo, acreditava, ainda estava do seu lado.
E assim seguiu — sem perceber que algumas coisas não avisam em voz alta quando começam.
Por algum tempo, nada mudou.
Eduardo Menezes seguiu com a vida exatamente como antes. Academia pela manhã, reuniões intermináveis, decisões rápidas. Mas, aqui e ali, começaram a surgir pequenos incômodos, quase indignos de atenção. Um cansaço fora de hora. Um desconforto difuso no abdômen, que aparecia e sumia. Uma sensação estranha depois das refeições, como se o corpo estivesse um segundo fora de compasso.
Nada que doesse de verdade. Nada que interrompesse a agenda.
— Idade, pensava.
— Estresse, justificava.
Os sintomas vinham em tom baixo, educados demais para assustar. E, justamente por isso, foram ignorados. Eduardo tinha experiência demais para se impressionar com sinais sutis. Sempre acreditara que problemas reais batem à porta com força — não cochicham.
Os dias passaram. As semanas também.
Até que, numa madrugada comum, o corpo resolveu falar alto.
A dor veio de repente. Profunda. Não era localizada como uma fisgada muscular, nem passageira como um mal-estar comum. Era um peso intenso, contínuo, que parecia atravessá-lo por dentro. O suor veio junto. A respiração perdeu o ritmo. Pela primeira vez em décadas, Eduardo Menezes precisou se sentar sem saber exatamente o porquê.
Ali, algo mudou.
O homem que resolvia crises percebeu, com clareza desconfortável, que havia uma crise que não obedecia a ele. Tentou racionalizar. Tentou esperar. Mas o corpo já não respondia aos comandos habituais. A dor aumentava, silenciosa e firme, como algo que já estava ali havia muito tempo — apenas aguardando o momento certo para se revelar.
Naquela manhã, ele não foi à academia. Cancelou compromissos. Pela primeira vez, correu ao médico não por insistência da família, mas por necessidade.
Os exames vieram rápidos demais. Olhares sérios demais. Poucas palavras.
O diagnóstico foi claro e cruel: um tumor pancreático avançado. Silencioso por natureza. Traiçoeiro. Daqueles que não costumam dar sinais evidentes no início, mas que, quando se manifestam com força, já passaram do ponto de retorno. Os sintomas leves estavam ali havia meses. Os exames iniciais poderiam ter levantado suspeitas. Exames mais profundos, feitos no tempo certo, teriam mudado o curso da história.
Agora, não mais.
O médico falou em controle, não em cura. Em limites, não em soluções. Em tempo — pouco tempo — e não em reversão.
Eduardo ouviu tudo em silêncio.
Naquele instante, compreendeu algo que jamais aprendera nos negócios: nem todo problema avisa quando ainda pode ser resolvido. Alguns apenas aguardam a negligência. Outros, a pressa. Outros, a falsa segurança de quem acredita que sentir-se bem é o mesmo que estar bem.
E foi ali, diante de um diagnóstico irreversível, que ele percebeu que os sinais sempre estiveram presentes — discretos demais para quem só acredita no que grita.
A internação foi rápida demais para quem sempre acreditou ter tempo de sobra.
Eduardo Menezes passou das salas frias de exames para um quarto de hospital onde os dias perderam o nome. Tubos, monitores, procedimentos sucessivos. O corpo forte, que durante anos respondeu aos pesos da academia, agora reagia mal às próprias tentativas de tratamento. A dor era controlada, mas nunca ausente. O cansaço se tornou permanente. O olhar, antes firme, começou a se apagar aos poucos.
A família se revezava ao redor da cama.
Helena segurava sua mão em silêncio, tentando manter firmeza onde já não havia respostas. Os filhos choravam escondidos nos corredores, tentando compreender como tudo havia acontecido tão rápido — quando, na verdade, não havia sido rápido. Apenas tardio.
Os médicos foram claros quando já não havia o que suavizar.
— Não há mais o que fazer.
— Agora é cuidado. Não é mais reversão.
Eduardo ouviu. Não discutiu. Não negociou. Pela primeira vez, não tinha argumentos. O homem que sempre controlou prazos, riscos e resultados percebeu que havia errado justamente onde acreditava ser mais competente: no julgamento de si mesmo.
Poucos dias depois, numa madrugada silenciosa, Eduardo Menezes faleceu.
Não foi vencido pela falta de disciplina. Não foi vencido pelo desleixo. Pelo contrário: cuidava do corpo, trabalhava duro, mantinha rotina, produtividade e aparência de saúde. Seu erro foi outro — mais sutil e mais comum.
Ele se autodiagnosticou.
Confiou demais na própria percepção.
Ignorou sinais por parecerem pequenos.
Adiou decisões por se sentir bem.
E assim termina a história de Eduardo Menezes — não por falta de esforço, nem por ausência de cuidado aparente, mas por falta de um diagnóstico correto. Confiou no próprio julgamento, tomou para si uma autoridade que não lhe pertencia e deixou de se entregar, no tempo certo, a quem tinha competência para diagnosticar o que ele não podia ver. Ao confiar em si mesmo mais do que na verdade, perdeu a oportunidade de viver.
Reflexão
A história de Eduardo Menezes fala, à primeira vista, sobre saúde física. Sobre exames adiados, sinais ignorados e um diagnóstico que chegou tarde demais. Ela nos lembra que o corpo precisa ser avaliado por quem tem competência, porque sentir-se bem não é o mesmo que estar bem. Negligenciar isso pode custar a vida.
Mas a reflexão não termina aí.
A saúde física é importante — e ninguém deveria desprezá-la. Afinal, se um homem não cuida do corpo, pode morrer. Contudo, há algo infinitamente mais sério do que a morte física. Porque a morte física, cedo ou tarde, alcança todos. Uns vivem mais, outros menos. Alguns morrem aos sessenta, outros aos cem. Mas, diante da eternidade, cem anos são apenas um sopro. A diferença entre alguns anos a mais ou a menos simplesmente não tem peso algum quando comparada ao infinito.
O verdadeiro problema não é quando se morre, mas como se morre diante de Deus.
Existe uma saúde mais profunda, mais decisiva, mais urgente do que a do corpo: a saúde da alma. E é justamente aí que a maioria das pessoas comete o mesmo erro de Eduardo Menezes — só que com consequências eternas.
Assim como Eduardo se diagnosticou com base no que sentia, muitos diagnosticam a própria condição espiritual olhando para si mesmos. Dizem: “Estou bem”, “Não sou uma pessoa ruim”, “Nunca fiz mal a ninguém”, “Deus entende”. O diagnóstico humano quase sempre é favorável, porque o homem não gosta de se enxergar como realmente é. O ego exige absolvição. A consciência pede alívio. E ninguém quer se declarar doente.
Mas o diagnóstico de Deus é outro.
O diagnóstico de Deus é outro.
Eduardo Menezes morreu não apenas porque tinha uma doença grave, mas porque essa doença não foi identificada a tempo. O câncer estava ali, silencioso, avançando enquanto ele acreditava que tudo estava bem. O problema não foi apenas a gravidade da enfermidade, mas o fato de que ela permaneceu oculta — não porque fosse invisível, mas porque ele não se submeteu, no tempo certo, ao diagnóstico de quem tinha autoridade para enxergá-la.
No campo espiritual, o cenário é o mesmo.
A condição da alma humana não pode ser avaliada pelo próprio homem. Assim como ninguém descobre um câncer profundo apenas observando o próprio corpo, ninguém identifica o pecado apenas confiando na própria consciência. Somente o médico pode revelar a doença. E, espiritualmente, somente Deus tem autoridade para revelar a verdadeira condição do ser humano.
O diagnóstico divino é claro: o problema do homem é o pecado. Ele entrou no mundo, contaminou toda a humanidade e trouxe consigo a morte. A Escritura declara:
“Portanto, assim como por um só homem entrou o pecado no mundo, e pelo pecado a morte, assim também a morte passou a todos os homens, porque todos pecaram.”
(Romanos 5:12)
O pecado é o câncer da alma.
Silencioso. Progressivo. Mortal.
Mas o homem não o percebe, porque se sente bem. Vive, trabalha, constrói, planeja, produz. Aos seus próprios olhos, sua condição parece boa. E, por isso, ele não busca o diagnóstico verdadeiro. Ele se avalia, se absolve e conclui que está saudável.
O erro não está apenas no pecado existir — está em não permitir que ele seja identificado.
Na história, Eduardo não deu ao médico a autoridade necessária para investigar profundamente. Preferiu confiar na própria percepção. Na vida espiritual, o ser humano faz o mesmo quando não se submete à Palavra de Deus. É a Palavra que revela o pecado. É ela que expõe o que está oculto. É ela que mostra aquilo que precisa ser extirpado antes que seja tarde demais.
Mas muitos não permitem isso.
Estão ocupados demais com a própria vida.
Preocupados demais com seus compromissos.
Convictos demais de que estão bem.
Assim como Eduardo não colocou sua saúde acima de tudo, muitos não colocam a saúde da alma como prioridade. Não dão a Deus — o médico dos médicos — a autoridade para examiná-los. Não se colocam diante da verdade. Não permitem que o diagnóstico seja feito.
E o resultado é trágico.
Porque o câncer não deixa de matar porque foi ignorado.
E o pecado não deixa de conduzir à morte espiritual porque não foi reconhecido.
A parábola revela uma verdade dura, mas necessária:
ninguém perde a vida eterna por falta de diagnóstico, mas por recusa em buscá-lo.
Enquanto o homem insiste em se diagnosticar sozinho, continuará acreditando que está bem — até o dia em que a realidade se imponha, tarde demais.
Se o pecado é a enfermidade, a Palavra de Deus é aquilo que cura. Não a palavra do homem, não a opinião pessoal, não a autoavaliação — mas a Palavra que procede de Deus. É ela que revela, confronta, corrige e restaura.
A Bíblia afirma claramente:
“Enviou a sua palavra, e os sarou, e os livrou do que lhes era mortal.”
(Salmo 107:20)
Há ainda um aspecto mais grave e mais sutil: muitos doentes são religiosos.
Há pessoas cheias de práticas, linguagem cristã, rotina de igreja — e ainda assim carregam o câncer do pecado sem diagnóstico. E não são apenas indivíduos; há igrejas inteiras adoecidas, não porque a cura não exista, mas porque o diagnóstico nunca é permitido.
O problema não é a ausência da Bíblia.
O problema é para quem a Bíblia é aplicada.
Ela é usada para corrigir os outros.
Para confrontar o mundo.
Para julgar quem está fora.
Mas raramente é permitida como exame interno.
Essas pessoas e essas igrejas já têm um diagnóstico pronto de si mesmas. Consideram-se saudáveis, corretas, aprovadas. O orgulho religioso cria uma falsa segurança — a mesma segurança que Eduardo Menezes tinha quando dizia, na prática: “Está tudo bem comigo.”
O orgulho não permite o check-up.
A certeza própria substitui a verdade.
E assim, como aquele homem, seguem vivendo convencidas de que estão bem, quando na realidade nunca se submeteram ao exame profundo daquele que tem autoridade para dizer a verdade.
Porque não é o homem que define sua condição espiritual.
É a Palavra de Deus.
A Escritura afirma:
“Porque a palavra de Deus é viva e eficaz, e mais cortante do que qualquer espada de dois gumes, e penetra até à divisão da alma e do espírito, das juntas e medulas, e é apta para discernir os pensamentos e intenções do coração.”
(Hebreus 4:12)
A Palavra não apenas consola — ela examina.
Não apenas ensina — ela revela.
Ela alcança onde o homem não enxerga e expõe o que o orgulho tenta esconder.
Enquanto a Bíblia não for permitida como diagnóstico pessoal, o câncer permanecerá oculto. Enquanto a Palavra for usada apenas para os outros, a doença continuará avançando silenciosamente.
O erro de Eduardo Menezes não foi ignorar o médico por rebeldia, mas por confiança excessiva em si mesmo.
O erro do homem religioso é o mesmo: achar que já está curado e, por isso, não se deixar examinar.
E ninguém se cura daquilo que se recusa a reconhecer.
Conclusão
Caro amigo leitor, não pense que esta palavra é para os outros.
Esta palavra é para você.
Você que um dia aceitou Jesus como Senhor da sua vida.
Você que passou pelo batismo do arrependimento.
Você que se reúne com a igreja.
Você que prega o evangelho.
Você que ora e vê pessoas serem curadas.
Você que expulsa demônios.
Você que recebe revelações de Deus.
Não pense, por isso, que você não precise de diagnóstico.
Não pense que você está isento de um check-up profundo.
Aquele homem acreditava que estava bem. Sua rotina, sua disciplina e sua aparência confirmavam isso aos próprios olhos. E foi justamente essa certeza que o impediu de se submeter a um exame mais profundo. O orgulho o convenceu de que não havia nada a ser investigado.
A Palavra de Deus não pode ser usada apenas para avaliar os outros.
Ela precisa ser aplicada a você.
Você precisa buscar a Palavra de Deus de forma pessoal, direta e honesta, permitindo que ela examine a sua vida sem filtros e sem defesas.
Você precisa se investigar.
Precisa avaliar se está realmente fiel a Cristo ou apenas confortável dentro de uma estrutura religiosa. Precisa verificar se o pecado não está sendo tolerado, justificado ou disfarçado na sua vida. Precisa confrontar se a sua fé, as suas crenças e as suas práticas estão de fato alinhadas com aquilo que a Escritura ensina — e não com aquilo que é conveniente acreditar.
É necessário examinar pensamentos, ações e motivações. Perguntar com seriedade se tudo o que você faz visa, de fato, a glória de Deus, ou se, em algum ponto, passou a servir ao próprio nome, à própria imagem e aos próprios interesses.
Não se trata de emoção.
Não se trata de experiência.
Não se trata de dons.
Trata-se de fidelidade.
Fidelidade à vontade revelada de Deus nas Escrituras. Fidelidade à verdade, ainda que ela confronte. Fidelidade a Cristo, ainda que ela exija renúncia. Porque qualquer coisa que não esteja afinada com a Palavra de Deus, por mais espiritual que pareça, não passa de engano bem vestido.
Esse exame não pode ser superficial. Não pode ser ocasional. Não pode ser feito apenas quando algo dá errado. Ele precisa ser profundo, constante e honesto.
Quem se recusa a esse exame não prova saúde espiritual — apenas repete o erro daquele homem que acreditou estar bem e, por isso, nunca se deixou investigar.
A Palavra de Deus não foi dada para confirmar certezas, mas para revelar a verdade.
E só permanece curado quem permite ser examinado.
É melhor ser examinado profundamente agora. É melhor tomar o remédio da renúncia àquilo que não está de acordo com a Palavra de Deus. É melhor morrer agora para a própria vontade, para os próprios desejos, e viver exclusivamente para glorificar a Deus, vivendo não mais para si mesmo, mas para conhecer e custe o que custar, fazer a vontade de Deus revelada na Bíblia. Do que, depois da morte, identificar que morreu com o câncer do pecado em si, em sua própria vida, estando no inferno, afastado eternamente de Deus, posto no lugar destinado àqueles que morrem sem serem curados, sem serem libertos do pecado pelo sangue de Jesus.
Esse é o diagnóstico de Deus para a sua vida, e a cura é a eliminação do câncer do pecado, pelo sangue de Jesus derramado na cruz.
Aceite-o, e assim seja curado e tenha a vida eterna.
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O orgulho, a vaidade, o Eu, semprem falam mais altos através da alma corrupda e enganada pelos afazeres do mundo. Enquanto, o homem não se render a Cristo, entregando o seu espírito para ser curado, não podem ver o plano perfeito de Deus, pois têm deixado o príncipe deste século falar em seu coração que é melhor ter do que ser, pois a bíblia nos fala: do que nos adianta ganhar o mundo todo e perder a salvar eterna com CRISTO.
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