sexta-feira, 16 de janeiro de 2026

O Dia em Que o Povo Entregou o Poder


O Dia em Que o Povo Entregou o Poder


Havia um país com leis, instituições e uma ordem imperfeita, como toda sociedade humana, mas onde ainda se distinguia o certo do errado, o limite do abuso, a autoridade da arbitrariedade.

Nada era ideal, mas havia referências, freios e algum senso de responsabilidade coletiva.

Foi nesse cenário que surgiu um homem.

Ele não apareceu propondo união.

Apareceu apontando culpados.

Seu discurso era repetido com força: dizia que os pobres eram explorados pelos ricos, que os trabalhadores eram roubados pelos empregadores, que brancos eram inimigos de negros, que sempre existia um grupo vivendo às custas do sofrimento de outro.

Falava com indignação, como alguém que se apresentava acima dos conflitos, embora vivesse deles.

Ele não ensinava responsabilidade nem reconciliação.

Ensinava ressentimento.

E se colocava como a única voz que “defendia” os ofendidos.

Quanto mais separava, mais crescia.

Cada grupo, sentindo-se vítima, via nele um protetor.

E quem se opunha a ele era imediatamente tratado como inimigo daquele grupo.

Assim ele se tornou popular.

Com o apoio das massas, foi eleito presidente.

Mas o que ele construiu não era apenas um governo, nem apenas um partido.

Era uma estrutura de poder — mais ampla, mais profunda, mais duradoura.

Ele passou a reunir vários partidos sob sua influência.

Não pela concordância de ideias, mas pela conveniência, pela dependência e pela corrupção.

O poder deixou de ser institucional e passou a ser centralizado, ainda que disfarçado por discursos democráticos.

Aos poucos, começou a corromper tudo o que sustentava a nação.

Os veículos de comunicação foram capturados — não para informar, mas para moldar a percepção do povo.

O poder executivo passou a obedecer à sua vontade.

O Congresso foi sendo corrompido.

O Senado, neutralizado.

O poder judicial perdeu a independência, tornando-se seletivo e previsível.

Até o poder militar foi enfraquecido por interesses, concessões e alianças silenciosas.

Em cada área, colocava pessoas leais — não à nação, mas a ele.

As universidades foram tomadas por uma mesma visão, não para formar cidadãos críticos, mas para repetir narrativas.

A educação deixou de formar consciência e passou a formar dependência.

Ao povo foi oferecida uma nova cultura: uma cultura voltada ao lazer constante, aos prazeres imediatos, ao consumo sem valores, à perda gradual de referências morais.

Enquanto os valores eram corroídos, o poder se fortalecia.

O homem foi eleito novamente.

E seu domínio se ampliou.

A corrupção tornou-se sistêmica.

A estrutura de poder se aprofundou.

Quando outro governante assumiu, não houve ruptura.

Era alguém sob sua liderança, sob seu comando, parte da mesma engrenagem.

O poder já não dependia de um cargo — dependia da estrutura.

Tudo estava corrompido.

Instituições, meios de comunicação, educação, cultura, política.

Até o sistema eleitoral do país já não inspirava confiança.

Nada funcionava fora daquele domínio.

Quando o povo começou a acordar, já era tarde.

A nação estava tomada.

O poder estava consolidado.

As leis existiam, mas não protegiam.

As vozes críticas eram silenciadas.

A oposição era tratada como ameaça.

O povo percebeu que havia sido enganado não de uma vez, mas aos poucos, ao longo dos anos.

Enquanto se distraía, enquanto terceirizava a responsabilidade, enquanto preferia conforto à vigilância, tudo era capturado diante de seus olhos.

E agora já não havia por onde escapar.

Aquele povo não perdeu a liberdade de repente.

Perdeu porque negligenciou a verdade.

Porque abriu mão da responsabilidade.

Porque preferiu que outros pensassem, escolhessem e decidissem por ele.

O engano não venceu pela força.

Venceu pela acomodação.

E quando o povo quis reagir, o poder já não estava em um homem, mas em um sistema inteiro.

E assim, aquele povo tornou-se escravo de uma ditadura definitiva, que passou a governar não apenas o Estado, mas a própria vida da nação, sem possibilidade de retorno ao que um dia fora liberdade.

Mas havia algo muito maior atuando por trás de tudo isso — algo que não apenas conduziu essa realidade até onde chegou, como também, se compreendido e retomado, teria poder para transformá-la por completo. Não se trata apenas de decisões humanas, estruturas de poder ou processos históricos, mas de um princípio mais profundo, frequentemente ignorado, que sustenta ou corrói uma sociedade por dentro. É isso que passaremos a tratar agora, ao refletirmos sobre esta parábola.


Reflexão

Há uma guerra espiritual por trás de tudo.

Você pode achar que essa situação não tem relação direta com você. Pode se ver como alguém patriota, consciente, politizado, alguém que não foi enganado pelos discursos e que sempre percebeu as distorções do poder. Pode até concluir que a tragédia descrita nesta parábola aconteceu por culpa de outros, dos ignorantes, dos omissos ou dos manipulados.

Mas aí está o engano.

Acreditar que isso é suficiente.

A realidade é que essa condição de dominação não se instaurou apenas porque alguns erraram, mas porque a dimensão espiritual foi negligenciada. Existe uma batalha que não se trava apenas no campo político, cultural ou social. Há forças do mal que atuam por trás das estruturas de poder, influenciando sistemas, discursos e decisões, e essa batalha só pode ser compreendida à luz da verdade espiritual.

Quando a pessoa limita sua responsabilidade ao plano secular, ela imagina estar fora do alcance do problema. No entanto, ao deixar de conhecer, viver e defender a verdadeira vida espiritual que Deus propõe, ela também contribui para que o mal se estabeleça. Não por intenção, mas por omissão espiritual. E quando o mal se organiza, ele não atinge apenas os enganados — ele se impõe sobre todos.

Por isso, não basta discernir politicamente, nem se posicionar como patriota ou consciente. Se a realidade espiritual é ignorada, a luta é incompleta. E uma luta incompleta não impede a dominação; apenas adia a percepção dela. Quando o poder do mal se consolida, já não se trata mais de escolhas individuais, mas de uma condição que passa a governar a sociedade inteira.

A verdadeira causa 

A reflexão desta parábola revela que a verdadeira raiz da escravidão não está apenas em líderes corruptos, mas na ausência da verdade espiritual. Onde Deus é retirado do centro, o mal encontra espaço para se estruturar, permanecer e dominar.

A Bíblia apresenta de forma clara um princípio espiritual que governa a vida das nações: quando o povo se afasta de Deus, a nação perde proteção e passa a ser dominada; quando o povo retorna ao Senhor, há livramento.

O livro de Juízes descreve esse processo de maneira direta:

Os filhos de Israel fizeram o que era mau aos olhos do Senhor… e deixaram o Senhor…

Pelo que a ira do Senhor se acendeu contra Israel, e os entregou nas mãos dos seus inimigos.”       (Juízes 2:11–14)

A dominação não surge primeiro no campo político ou militar, mas no abandono da verdade espiritual. Quando Deus é rejeitado, Sua proteção é retirada, e o povo se torna vulnerável ao domínio do mal.

Entretanto, a Escritura também mostra o caminho da restauração. Quando o povo reconhece seu afastamento e retorna ao Senhor, há libertação:

Então os filhos de Israel clamaram ao Senhor, e o Senhor lhes levantou um libertador.”      (Juízes 3:9)

Esse mesmo princípio é reafirmado de forma geral:

Se o meu povo, que se chama pelo meu nome, se humilhar, orar, buscar a minha face e se converter dos seus maus caminhos, então eu ouvirei dos céus, perdoarei os seus pecados e sararei a sua terra.”    (2 Crônicas 7:14) 

A reflexão desta parábola, portanto, traz à luz essa verdade bíblica: a escravidão de uma nação é consequência do afastamento de Deus, e o livramento só é possível quando há retorno à verdade. Onde Deus é rejeitado, o mal se estabelece; onde Deus é buscado, a libertação começa.

Um ponto além da nação: a batalha pelo governo da vida

Há, porém, uma verdade ainda mais profunda, que transcende a vitória ou a derrota de uma nação. Existe uma outra batalha, silenciosa e decisiva, que se trava no plano individual: a batalha pelo governo da vida de cada pessoa.

Alguém pode afirmar, com razão, que não foi enganado em relação à política. Pode dizer que possui discernimento, que avaliou corretamente os governantes, que não se deixou levar por discursos, que compreendeu o cenário social e fez escolhas conscientes. Pode até estar certo nesse aspecto. Mas isso não encerra a questão.

Da mesma forma, essa pessoa pode dizer: “Além disso, sou cristã, tenho fé, tenho uma vida religiosa, acredito em Deus”. E, ainda assim, pode estar enganada — não quanto à política, mas quanto ao governo da própria vida.

O engano aqui é mais sutil. Assim como muitos acreditaram que um mau governante era bom, há pessoas que colocam a si mesmas no governo da própria vida e acreditam estar tudo bem. Elas mantêm Deus em alguma área, em algum espaço, em algum momento, mas não vivem sob um compromisso real de fidelidade à vontade de Deus. No fundo, são elas que decidem, dirigem, estabelecem prioridades e limites. Elas governam — e acham esse governo legítimo.

O problema é que essa condição também não é neutra. Quando a vida não é governada por Deus, outras forças passam a influenciar, ainda que de forma imperceptível. Não por falta de inteligência, nem por ignorância política ou social, mas por negligência espiritual. Falta compromisso com a verdade revelada, falta submissão à Palavra de Deus, falta uma aliança real de fidelidade a Cristo.

E assim como aconteceu com aquela nação da parábola — que só percebeu a escravidão quando já não havia saída —, esse engano também pode ser descoberto tarde demais. A diferença é que, enquanto Deus pode libertar uma nação no tempo, a escolha final do governo da vida tem consequências eternas. Na realidade espiritual definitiva, não há retorno, não há reversão, não há nova oportunidade.

A parábola adverte sobre a perda da liberdade de um povo.

Essa reflexão adverte sobre algo ainda mais sério: a perda da própria vida eterna, quando se vive acreditando estar no controle, quando, na verdade, se rejeitou o único governo que liberta.

Assim como uma nação perde a liberdade quando negligencia sua responsabilidade diante da verdade, o mesmo acontece com o indivíduo. Fomos criados por Deus com o dever de conhecê-Lo e viver segundo a Sua vontade. Quando esse compromisso é negligenciado, o engano se instala. Na esfera coletiva, essa negligência leva à escolha de maus governantes; na esfera pessoal, leva à escolha errada de quem governa a própria vida. Do mesmo modo que um povo, ao se afastar da verdade, entrega o governo a quem o escraviza, o indivíduo, ao negligenciar a vontade de Deus, coloca a si mesmo — seus desejos e sua própria vontade — no trono que pertence ao Senhor. E a regra é a mesma em ambos os casos: ou Deus governa, ou outro governo se estabelece.

Conclusão e Apelo

Assim como uma nação só pode ser liberta quando reconhece que está escravizada e busca em Deus a verdadeira libertação, a raça humana também se encontra nessa mesma condição. Desde que o pecado entrou no mundo, o homem se afastou de Deus e passou a viver sob escravidão espiritual, fruto da negligência à vontade divina.

Mas há uma saída. Deus providenciou um Libertador. Jesus Cristo morreu na cruz para libertar o ser humano do domínio do pecado e restaurar o governo de Deus sobre a vida. Essa libertação não ocorre pela consciência política, pela moralidade ou pela religião externa, mas quando a pessoa deixa de ser negligente à vontade de Deus e assume uma aliança de fidelidade com Ele.

Este é o chamado final: reconhecer a escravidão, abandonar o autogoverno e permitir que Deus reine. Somente assim há verdadeira liberdade — não apenas para esta vida, mas para a vida eterna, perfeita e definitiva.

Tome esta decisão agora, enquanto ainda há tempo. Reconheça que o pecado escraviza e abandone-o de forma definitiva. Rompa com o engano e com o governo incorreto da sua própria vida. Lembre-se: você pode até escolher corretamente o governo da sua nação, mas se não escolher o governo correto da sua própria vida, estará da mesma forma condenado, pois não existe neutralidade diante de Deus. Enquanto o homem governa a si mesmo, permanece em rebelião e escravidão. Entregue o governo da sua vida a Cristo e assuma uma aliança de fidelidade a Ele, aos Seus ensinamentos, que estão revelados na Bíblia, custe o que custar, para que seja Cristo — e não mais você — quem governe a sua vida. Somente assim é possível ser liberto da escravidão do pecado, escapar da escravidão que conduz ao afastamento eterno de Deus e ser conduzido à comunhão eterna com o Senhor, na verdade, na vida e na salvação que há em Cristo Jesus.

Já não vivo eu, mas Cristo vive em mim…” (Gálatas 2:20)



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Um comentário:

  1. Quando não estamos em consonância com à Palavra de Deus, tomamos atitudes fora da vontade do Pai, e como consequência de uma atitude errada, sofrermos o dano. Sabemos que tudo tem a permissão do Pai, não para apenas sofrermos, mas para não errarmos mais, pois quando o perverso governa, o povo sofre! Provérbios 29:2.

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