Maria e André
Maria tinha 19 anos. André, 24.
Era uma cidade pequena, dessas onde quase todo mundo se conhece pelo nome, onde as tardes têm cheiro de flores e as noites parecem mais estreladas do que em qualquer outro lugar do mundo.
No centro da cidade havia uma praça enorme. Com jardins bem cuidados, bancos de ferro pintados de branco, árvores antigas que faziam sombra fresca e, bem no meio, um chafariz — a água subia suave e caía em ondas delicadas, refletindo as luzes amareladas dos postes ao redor. À noite, a rádio da cidade tocava músicas românticas pelos alto-falantes espalhados pela praça. Era ali que as famílias passeavam, os idosos conversavam e os jovens se encontravam.
Foi ali que tudo começou.
Maria estava sentada com um grupo de amigas. Usava um vestido simples, azul-claro, que combinava com seus olhos atentos e sua postura recatada. Era tímida, doce, de fala baixa e sorriso discreto. Não era do tipo que chamava atenção pelo exagero, mas pela serenidade.
André chegou com alguns amigos. Alto, de olhar firme, mas sorriso gentil. Trabalhava desde cedo, era dedicado, educado, e havia nele uma sensibilidade rara. Não era apenas bonito — havia algo em sua postura que transmitia segurança e respeito.
Os olhares se cruzaram.
Não foi um olhar demorado. Foi rápido. Mas suficiente.
Maria desviou primeiro. André, porém, não conseguiu deixar de sorrir.
Um dos amigos de André, mais extrovertido, puxou conversa com o grupo das moças. Risadas surgiram, apresentações foram feitas, e logo os dois grupos estavam conversando como se já se conhecessem há tempos.
Era exatamente o que Maria e André queriam — uma oportunidade.
Eles começaram a conversar de maneira simples, natural. Falavam de assuntos diversos, do trabalho, dos estudos, das situações do dia, das histórias da cidade. Riam das pequenas coisas. Comentavam as músicas que tocavam na praça.
Tornaram-se amigos.
Pelo menos era assim que todos viam.
Mas, no coração, desde o primeiro olhar, já havia a ideia de algo maior. Não era declarado, não era assumido, mas estava ali. No fundo, no fundo, ambos tinham aquela sensação.
Continuaram se encontrando. Às vezes em grupo. Outras vezes, acabavam se afastando um pouco dos demais e ficavam sozinhos na praça, sentados próximos ao chafariz. Já pareciam um casal, mesmo antes de serem.
O namoro começou naturalmente.
André era atencioso. Gostava de estar perto dela. Fazia questão. Mandava flores — não grandes arranjos caros, mas flores escolhidas com cuidado. Deixava bilhetes simples, escritos à mão. Procurava sempre agradá-la com gestos discretos.
Ele pensava no futuro.
Começou a trabalhar com ainda mais dedicação. Estudava mais. Estava próximo de se formar e queria estruturar a vida, porque tinha em mente que queria casar com Maria. Não falava isso a todo momento, mas suas atitudes mostravam.
Formou-se.
O namoro avançou. As famílias já se conheciam bem. O respeito era evidente.
Casaram-se.
Um ano depois, já estavam na própria casa. Simples, mas organizada. Aos poucos foram prosperando. Maria foi parte essencial disso. Apoio, incentivo, equilíbrio. Com o apoio dela, André cresceu profissionalmente e tornou-se um excelente advogado, respeitado na cidade.
Viajaram algumas vezes. Fizeram planos. Construíram sonhos.
Vieram os filhos.
Maria engravidou. Tiveram o primeiro. Depois, o segundo. A rotina mudou completamente. A casa ficou cheia de vida, mas também de responsabilidades.
Os primeiros anos de casamento foram muito felizes. Havia carinho, parceria, admiração.
Mas, aos poucos, detalhes começaram a mudar.
Maria passou a dedicar quase todo o tempo às crianças. Entre cuidados, escola, casa, compromissos, foi deixando um pouco de lado o cuidado consigo mesma. Continuava bonita, mas já não tinha o mesmo tempo para se arrumar como antes.
André, por sua vez, mergulhou ainda mais no trabalho. O escritório exigia muito. Ele se envolvia com processos, clientes, responsabilidades. Às vezes saía com amigos para conversar depois do expediente.
Aquele romance intenso dos primeiros anos começou a esfriar.
Não houve traição. Não houve escândalos. André sempre foi fiel a Maria. Maria sempre foi fiel a André.
Mas a intensidade já não era a mesma.
As conversas passaram a girar em torno de contas, compromissos, problemas do dia a dia. Pequenos conflitos surgiam — nada grave, apenas diferenças, cansaço, desgaste.
O casamento se manteve.
Não havia grandes brigas. Também não havia mais aquela chama constante do início.
O amor esfriou.
E assim, entre rotina, filhos e trabalho, os anos foram passando.
Eles continuaram casados por muitos anos. Unidos pela história, pelos filhos, pelo que construíram juntos.
Mas, em algum lugar da memória, ainda existia aquela praça, aquele chafariz… e o primeiro olhar que tinha sido suficiente para mudar tudo. Mas o amor....esfriou.
Reflexão: A Aliança de Amor
A história de André e Maria é uma parábola que nos ensina sobre uma relação de amor necessária à vida de todos nós.
E não estamos falando de qualquer relação.
A relação de André e Maria é uma relação amorosa de um casamento. E esta relação que deve haver na vida de todos nós é exatamente uma relação de amor e de casamento, pois o amor leva ao casamento. André e Maria se casaram porque se amaram.
E a verdadeira relação de amor traz dentro de si uma relação de fidelidade. Quando duas pessoas se amam, elas são fiéis uma à outra. É uma relação de compromisso de vida a dois.
Além disso, o amor verdadeiro produz conhecimento. O amor entre André e Maria os levou a se aproximarem, a conversarem, a conviverem e, assim, a se conhecerem profundamente. O amor não é distante. Ele aproxima. Ele gera convivência. E a convivência gera conhecimento.
Da mesma forma, no casamento espiritual entre Cristo e a igreja, aquele que ama a Cristo se aproxima de Cristo, convive com Cristo, busca a sua presença e, portanto, passa a conhecê-lo. Não é um conhecimento superficial, mas um conhecimento que nasce da relação, da comunhão, da fidelidade.
Cristo, porém, já conhece a todos. Mas aquele que o ama demonstra esse amor permanecendo perto, ouvindo a sua voz e vivendo em aliança com Ele.
A Bíblia traz a história de um livro, o Cântico dos Cânticos, que apresenta o grande amor entre um homem e uma mulher. É a expressão de um amor profundo, exclusivo, intenso. Mas este amor também simboliza Cristo e a sua igreja, ou seja, aqueles que formam a sua igreja, aqueles que o amam e têm uma aliança com Ele.
A Escritura afirma:
“Por isso deixará o homem seu pai e sua mãe, e se unirá a sua mulher; e serão dois numa carne. Grande é este mistério; digo-o, porém, a respeito de Cristo e da igreja.”
— Efésios 5:31-32
Perceba: o casamento é uma instituição divina, foi estabelecido por Deus e carrega em si um símbolo espiritual profundo.
Ele aponta para algo maior. Ele revela uma verdade espiritual. Ele expressa a relação entre Cristo e a igreja.
Assim como André e Maria entraram em uma aliança baseada em amor e fidelidade, assim também a relação com Deus é uma aliança. Não é apenas emoção. Não é apenas sentimento momentâneo. É compromisso.
O casamento exige exclusividade.
A aliança com Deus também.
O casamento exige fidelidade.
A aliança com Deus também.
O casamento começa com amor intenso, mas precisa ser sustentado por decisão diária.
A aliança com Deus também.
No casamento cristão, o marido é o cabeça do lar, é o provedor, é aquele que assume responsabilidade espiritual e material. E a mulher deve ser submissa ao marido, dentro da ordem estabelecida por Deus.
A Bíblia declara:
“Vós, mulheres, sujeitai-vos a vossos maridos, como ao Senhor.”
— Efésios 5:22
E também afirma:
“Vós, maridos, amai vossas mulheres, como também Cristo amou a igreja, e a si mesmo se entregou por ela.”
— Efésios 5:25
Cristo é o exemplo perfeito do marido. Ele amou a sua igreja e se entregou por ela. Ele deu a sua vida. Ele proveu a nossa salvação. Ele é o provedor espiritual, porque proveu redenção.
A Escritura também declara:
“Porque Deus amou o mundo de tal maneira que deu o seu Filho unigênito, para que todo aquele que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna.”
— João 3:16
Assim como o marido deve amar sacrificialmente, Cristo já demonstrou esse amor. E assim como a esposa deve ser fiel e obediente ao marido, a igreja deve obedecer a Cristo.
É necessário fidelidade.
É necessário submissão à vontade de Deus.
É necessário amor que se prova por obediência.
Porque a verdadeira aliança exige amor, compromisso e fidelidade.
O Amor Esfriar e a Aliança Verdadeira
Uma verdadeira aliança é uma aliança de um amor verdadeiro. Sem compromisso, sem fidelidade, não há aliança.
Talvez essa história, se não houvesse um amor verdadeiro, não seria de um casamento; seria apenas um romance, um namoro, uma paixão amorosa. Mas o amor verdadeiro implica uma aliança de fidelidade. O casamento, na sua concepção divina, reflete uma relação de amor, acima de tudo, de amor verdadeiro.
Agora, este amor precisa ser alimentado. Se não há vigilância para manter as características de um casamento ou de uma relação de amor, o amor esfria. Na vida cristã, uma pessoa pode se entregar a Cristo, ter uma experiência sobrenatural com Ele, decidir segui‑lo, mas a aliança verdadeira com Deus — o “casamento” espiritual — só acontece dentro dos moldes da aliança de Deus.
No Velho Testamento, o povo de Israel era o povo de Deus, estava em aliança com Ele. Mas quando se desviou, quando quebrou os mandamentos e a vontade de Deus, foi chamado de adúltero. A falta de fidelidade que leva o povo a se afastar de Deus é uma forma de amor esfriar.
Da mesma forma, na vida cristã, quando a noiva — a igreja, ou cada crente — não permanece fiel ao Noivo, não mantém um relacionamento vivo e de adoração a Cristo, o amor esfria. Mas este amor frio não é o amor verdadeiro; não é o amor que salva; não é o amor que Cristo aceita; não é o amor que define a aliança.
A Bíblia alerta:
“Por se multiplicar a iniqüidade, o amor de muitos se esfriará.”
— Mateus 24:12
Vemos que quem comete pecado ou iniquidade se afasta de Deus.
A Escritura também adverte claramente em Mateus:
“Nem todo o que me diz: Senhor, Senhor! entrará no reino dos céus, mas aquele que faz a vontade de meu Pai que está nos céus.
Muitos me dirão naquele dia: Senhor, Senhor, não profetizamos nós em teu nome? e em teu nome não expulsamos demônios? e em teu nome não fizemos muitos milagres?
Então lhes direi claramente: Nunca vos conheci; apartai‑vos de mim, vós que praticais iniquidade.”
— Mateus 7:21‑23
E a própria Bíblia define o pecado como iniquidade:
“Qualquer que comete pecado também comete iniqüidade; porque o pecado é iniquidade.”
— 1 João 3:4
Nesta tradução, o pecado é claramente definido como iniquidade — isto é, rebeldia, transgressão da vontade de Deus.
A iniquidade é a causa do amor esfriar, é a causa daqueles que não são fervorosos diante de Deus, é a causa daqueles que não vivem uma vida de abandono definitivo do pecado, uma vida de fidelidade completa a Deus. A iniquidade separa o homem de Deus, ainda que ele creia que esteja com Deus, como acreditava o povo de Israel desviado, mas alertado pelos profetas que eles não estavam com Deus e Deus não estava com eles.
O profeta Isaías declara:
“Eis que a mão do Senhor não está encolhida para que não possa salvar, nem os seus ouvidos agravados para que não possa ouvir; mas os vossos pecados fazem separação entre vós e o vosso Deus, de maneira que não vos ouça.”
— Isaías 59:1‑2
Conclusão e Apelo: A Verdadeira Aliança de Amor
A história de André e Maria nos revela, de maneira clara, que o amor verdadeiro não é apenas sentimento, mas ação, compromisso e fidelidade diária. O amor sem cuidado se esfria; a negligência, ainda que sutil, corrói a relação. Assim como no casamento humano, a aliança com Deus exige vigilância constante, fidelidade e proximidade com Cristo.
O amor entre André e Maria se esfriou quando a rotina e os afazeres tomaram conta, e o cuidado mútuo deixou de ser prioridade. Na vida cristã, ocorre de forma similar: aqueles que não cultivam uma vida fervorosa e intensa com Deus vivem um amor frio, corrompido pela iniquidade, que é o pecado. A Bíblia afirma:
“Assim, porque és morno, e não és frio nem quente, vomitar‑te-ei da minha boca.”
— Apocalipse 3:16
Portanto, a lição é clara:
Não há salvação sem aliança com Cristo. O “casamento espiritual” só pode ser fundado em amor profundo. O amor verdadeiro gera fidelidade. Quem vive em pecado, por definição, não ama a Deus. A Escritura confirma:
“Aquele que diz: Eu o conheço, e não guarda os seus mandamentos, é mentiroso, e a verdade não está nele. Mas quem guarda a sua palavra, nele verdadeiramente o amor de Deus se manifesta. Aquele que me ama, guarda os meus mandamentos.”
— 1 João 2:4-5
Vigilância constante é necessária. Aqueles que fizeram aliança com Cristo devem proteger o amor e a fidelidade em suas vidas. As distrações do mundo, os anseios por coisas passageiras, podem desviar do propósito inicial: uma aliança de fidelidade a Cristo. Assim como a esposa deve viver para o marido, devemos viver para Cristo. A Escritura confirma:
“Ele morreu por todos, para que os que vivem, não vivam mais para si, mas para aquele que por eles morreu e ressuscitou.”
— 2 Coríntios 5:15
Maria representa a igreja, e André representa Cristo. Quando André propôs casamento a Maria, ofereceu-lhe uma aliança. Porém, se Maria não aceitasse essa proposta, mesmo com o desejo sincero de André, a aliança jamais se concretizaria. De forma semelhante, Deus está oferecendo a você uma aliança com Ele, um verdadeiro casamento espiritual. A pergunta é: você deseja ser a noiva de Cristo, a igreja que vive em fidelidade e compromisso com o Senhor?
Para que essa aliança se realize, é necessário viver em fidelidade a Deus, abandonando definitivamente o pecado. Um casamento verdadeiro não pode se sustentar em permissividade, nem em pequenas infidelidades ocasionais. Do mesmo modo, a verdadeira relação com Cristo exige fidelidade plena. Como a Bíblia declara:
“Que diremos, pois? Permaneceremos no pecado, para que a graça aumente? De modo nenhum. Nós, que já morremos para o pecado, como viveremos ainda nele?”
— Romanos 6:1‑2
Mais do que fidelidade, a aliança com Cristo demanda entrega total, dedicação exclusiva e uma vida fervorosa, sem permitir que o amor esfrie por causa da iniquidade. Amar a Deus implica servir, obedecer e permanecer vigilante, protegendo a aliança das distrações e seduções do mundo, assim como a esposa deve viver em devoção ao marido.
Você quer esta aliança com Cristo?
Diante de Ti, ó Pai, eu faço uma aliança com Cristo, uma aliança de fidelidade, em reconhecimento da autoridade de Cristo sobre a minha vida.
Te peço perdão por todos os meus pecados e declaro, diante de Ti, que seguirei a Cristo e as Suas palavras, conforme estão na Bíblia, custe o que custar, conhecendo e aplicando a Sua Palavra a cada dia em minha vida com fidelidade.
Declaro que o meu amor será fervoroso, e não permitirei que se desvie ou esfrie por causa da iniquidade, que é o pecado.
Recebe esta oração de todo o meu coração, em nome de Jesus. Amém.
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