segunda-feira, 9 de fevereiro de 2026

O Grande Muro


O Grande Muro.

Havia um tempo em que existia apenas um reino.

Um país inteiro, íntegro, próspero e alegre. Suas leis eram justas, seu povo vivia em segurança, e o rei governava com verdade. Ali havia vida, propósito e ordem. Nada faltava.

Mas surgiram homens maus.

Não vieram como inimigos declarados, e sim como salvadores aparentes. Usaram engano, corrupção e falsas promessas. Pouco a pouco, tomaram parte do território e dividiram o país. Assim, onde antes havia um só reino, passaram a existir dois.

Entre eles, os rebeldes construíram algo novo.

Não levantaram um muro estreito e simples, mas um muro largo e alto, tão largo que parecia uma grande área. No topo desse muro havia caminhos, mirantes, jardins e construções belas. De cima, a vista era impressionante: era possível enxergar os dois lados do país. O lugar parecia seguro, agradável e até nobre.

Os rebeldes o chamavam de área comum.

Diziam que não pertencia a nenhum dos reinos.

— “Aqui é neutro”, proclamavam.

— “Aqui não há extremismos.”

— “Aqui todos podem conviver.”

Construíram ali espaços de descanso, diversão e contemplação. Tudo foi pensado para que as pessoas quisessem permanecer. Era um lugar onde o tempo passava sem ser percebido, onde a consciência se acalmava e as decisões eram adiadas.

O rei do reino verdadeiro, porém, nunca reconheceu aquele lugar como neutro. Sabia que o muro havia sido construído pelos invasores e que, apesar da aparência bela, fazia parte do domínio rebelde. Por isso, alertava seu povo:

— “Não permaneçam ali.”

— “Não se assenteis no muro.”

— “Voltem para o reino.”

Mesmo assim, muitos começaram a frequentar o lugar.

Alguns iam apenas por curiosidade.

Subiam rapidamente, olhavam a vista e voltavam, dizendo:

— “Não há problema, fiquei pouco tempo.”

Outros passavam horas sobre o muro.

Gostavam da paisagem, da sensação de estar acima, do conforto de não precisar escolher. Diziam:

— “Não estou do lado de lá.”

— “Também não abandonei o reino.”

Havia aqueles que, do alto do muro, desciam para visitar a cidade rebelde e depois retornavam. Achavam que isso não tinha consequências. E havia os que, pouco a pouco, deixavam de voltar, atravessando definitivamente para o outro lado.

Também existiam os que abandonaram o reino de vez.

Desceram do território verdadeiro, subiram o muro e seguiram para a cidade dos rebeldes, convencidos de que haviam encontrado algo melhor.

A verdade era simples, embora muitos se recusassem a aceitá-la:

ninguém permanecia no muro por acaso.

Cada passo, cada permanência, cada visita moldava o coração.

O reino verdadeiro, desde o dia da divisão, aguardava o tempo da retomada. Nunca desistira. O rei era paciente, mas justo. E o dia chegou.

Quando a guerra começou, foi rápida e decisiva. O reino avançou para retomar tudo o que lhe pertencia. As defesas dos rebeldes caíram, e a falsa neutralidade foi desfeita.

O muro foi tomado junto com o território inimigo.

E então ficou claro o que sempre foi verdade: aqueles que estavam sobre o muro foram considerados do lado de quem o construiu. Não importava o que diziam. 

Não importava de onde vinham. Importava onde estavam quando o rei chegou. Os que haviam permanecido no reino foram preservados.

Os que atravessaram, colheram sua escolha.

E os que insistiram em viver no meio descobriram, tarde demais, que o meio nunca foi neutro.

Pois em tempos de guerra, o muro não é abrigo — é território inimigo. E assim o reino foi restaurado,e a verdade se revelou:

 Ou se vive inteiramente no reino de verdade, ou se permanece, mesmo sem perceber, sob o domínio do inimigo. 


🌿 REFLEXÃO — Leia com atenção

Amigo leitor,

esta parábola não é apenas uma história para ser considerada. Ela é uma forma clara e direta de Deus falar com você sobre algo essencial: a sua posição espiritual hoje e o seu destino eterno. Parábolas revelam verdades que não admitem neutralidade, e esta revela uma realidade que muitos preferem ignorar.

Os dois países da parábola representam duas realidades espirituais:

de um lado, aqueles que pertencem ao Reino de Deus;

do outro, aqueles que vivem em rebeldia contra Deus, nas trevas.

A questão central, porém, não são apenas os dois lados, mas o muro.

O muro representa a posição de pessoas que se declaram pertencentes ao Reino de Deus, mas não vivem completamente separadas do mundo. São pessoas que professam fé, falam de Deus, usam linguagem espiritual, mas permanecem em um lugar que, embora pareça neutro, não pertence ao Reino.

E aqui está a verdade que precisa ser dita com clareza:

👉 o muro nunca pertenceu ao Reino de Deus.

Ele foi construído pelo inimigo, sustentado pelo engano e adornado para parecer seguro.

A Palavra de Deus é objetiva:

“Não ameis o mundo, nem o que no mundo há” (1 João 2:15).

Muitos que estavam sobre o muro negavam o pecado. Diziam:

— “Isso não é pecado.”

— “Deus é amor.”

— “Liberdade.”

— “Não precisamos ser tão rígidos.”

Mas o pecado não deixa de ser pecado porque alguém o nega.

“O pecado é a transgressão da lei” (1 João 3:4).

Chamá-lo de virtude não o purifica. Apenas cega a consciência.

“Ai dos que ao mal chamam bem, e ao bem chamam mal” (Isaías 5:20).

Esses mesmos, muitas vezes, combatiam a verdade usando argumentos emocionais: amor, amizade, convivência, tolerância. Contudo, a Escritura é clara:

“O amor não se alegra com a injustiça, mas regozija-se com a verdade” (1 Coríntios 13:6).

A santidade que Deus requer não é parcial.

“Sede santos, porque eu sou santo” (1 Pedro 1:16).

Por isso, a ordem divina permanece inalterada:

“Saí do meio deles e separai-vos” (2 Coríntios 6:17).

Quem permanece no muro não obedeceu completamente.

E quem não obedece completamente, já se afastou do Reino, ainda que continue usando o nome de Deus.

Quando o Rei retorna, intenções não serão avaliadas, mas posições.

“Nem todo o que me diz: Senhor, Senhor, entrará no Reino dos céus” (Mateus 7:21).

O destino eterno daqueles que não se ausentaram completamente é advertido de forma severa:

“Porque és morno… estou a ponto de vomitar-te da minha boca” (Apocalipse 3:16).

Cristo não chama pessoas para o muro.

Ele chama para seguimento, fidelidade e renúncia.

“Quem não toma a sua cruz e não me segue, não é digno de mim” (Mateus 10:38).

A parábola do Muro confronta cada leitor com uma pergunta inevitável:

onde você está?

Porque no dia da retomada, não haverá muro,

não haverá meio,

não haverá desculpas.

“Quem pratica a justiça é justo… quem pratica o pecado é do diabo” (1 João 3:7–8).

🔚 CONCLUSÃO —  A ESCOLHA

O que esta parábola revela de forma clara, direta e incontornável é isto: é necessário amor e fidelidade ao Reino de Deus. Não um amor teórico, emocional ou religioso, mas um amor que governa o coração, orienta as escolhas e define o modo de viver.

Quanto maior é o amor pelo Reino de Deus, mais distante a pessoa se torna do mundo, de seu sistema, de seus valores e de suas seduções.

“Onde está o teu tesouro, aí estará também o teu coração” (Mateus 6:21).

O problema do muro é justamente a ausência desse amor pleno. Quem ama pouco o Reino, tolera o mundo. Quem ama pouco a verdade, relativiza o pecado. Quem ama pouco a Deus, aceita viver dividido.

A parábola do muro é análoga à história da mulher de Ló.

Ela saiu fisicamente de Sodoma, caminhava com Ló e com os anjos — assim como muitos hoje caminham com a Bíblia, frequentam ambientes religiosos e convivem com a verdade. Contudo, o coração dela ainda estava no mundo.

“Mas a mulher de Ló olhou para trás e tornou-se uma estátua de sal” (Gênesis 19:26).

“Lembrai-vos da mulher de Ló” (Lucas 17:32).

Da mesma forma, muitos permaneceram no muro: próximos do Reino, usando a linguagem do Reino, mas sem ruptura total com o mundo.

Caso contrário, o destino será o mesmo da mulher de Ló e dos que frequentaram o muro.

É preciso tomar uma decisão de entrega total ao Reino de Deus, pois a vida é curta.

“Porque sois como neblina que aparece por um pouco e depois desaparece” (Tiago 4:14).

Este mundo nada tem de bom para oferecer à alma fiel.

O cristão verdadeiro anseia pelo Reino de Deus.

A alma do crente geme, aguardando a redenção final e a manifestação plena do Reino.

“Porque sabemos que toda a criação geme e está juntamente com dores de parto até agora” (Romanos 8:22).

“Porque aqui não temos cidade permanente, mas buscamos a futura” (Hebreus 13:14).

No fim, há apenas uma pergunta decisiva, direta e eterna:

você abandonou completamente o pecado, o mundo e vive fervorosamente para o Reino de Deus?

Estar no muro, visitar o muro ou permanecer no muro representa aqueles que não abandonaram verdadeiramente as tradições do mundo, que não romperam definitivamente com a religião que outrora praticavam, quando ela contrariava a Palavra de Deus e introduzia doutrinas diferentes da Escritura, que é a revelação de Deus.

Representa também a manutenção de comunhão com práticas, com pessoas e com valores do mundo, afetos preservados e alianças emocionais e espirituais que impedem uma entrega plena.

São aqueles marcados pela falta de renúncia, pela ausência de compromisso completo com o Reino de Deus e com a sua implantação. Essa posição afastará eternamente do Reino de Deus, ainda que a pessoa se considere cristã, frequente ambientes religiosos, se reúna como igreja ou se identifique como pertencente ao Reino.

A verdade permanece inalterável:

não se entra no Reino de Deus flertando com o mundo.

No final, prevalecerão apenas aqueles que abandonaram definitivamente o pecado e o mundo, e se entregaram de forma completa e irrevogável ao Reino de Deus.



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