O que Jesus quis dizer? “Aquele a quem pouco é perdoado, pouco ama”
Texto base
“Portanto, te digo que os seus muitos pecados lhe são perdoados, porque muito amou; mas aquele a quem pouco é perdoado pouco ama.” (Lucas 7:47)
Introdução
O entendimento daquilo que Jesus Cristo diz é necessário para que não sejamos enganados a respeito de Deus, da vida que devemos viver e do destino eterno.
Esta mensagem, através da reflexão, com dedicação e com o devido valor às palavras de Jesus, traz esse entendimento indispensável, resgatando o ser humano das trevas do engano.
Hoje, o ser humano vive usufruindo das bênçãos de Deus, independentemente de quem ele seja. Porém, ao final da sua vida, aqueles que desprezaram a Deus e a sua palavra estarão definitivamente afastados de Deus e de tudo aquilo que é bom.
Por isso, o destino eterno é a separação daqueles que rejeitaram a verdade e a justiça, que não foram honestos na forma de pensar, de viver e de agir, e que não viveram para o propósito para o qual foram criados.
Tudo o que é bom vem de Deus. O viver eternamente separado de Deus, e consequentemente separado de tudo o que é bom, resulta no inferno.
1. Só ama a Deus aquele que foi perdoado
A natureza humana e a necessidade de perdão para amar a Deus é uma verdade clara: só ama a Deus aquele que foi perdoado.
O homem foi criado em comunhão com Deus, porém, através da queda pelo pecado, essa natureza foi corrompida e transmitida a todos os homens por meio do nascimento natural. Assim, todos que nascem, nascem com a natureza afastada de Deus.
Dessa forma, nessa condição, o homem não apenas está distante de Deus, mas está separado de Deus, incapaz de amá-Lo e, em consequência, de ser amado por Deus.
Jesus afirma: “Aquele que me ama guardará a minha palavra, e meu Pai o amará, e viremos para ele e faremos nele morada” (João 14:23).
O texto afirma categoricamente que só ama a Deus aquele que guarda a Sua palavra, isto é, aquele que abandonou o pecado de forma definitiva e vive uma vida de obediência a Deus, demonstrando assim uma mudança de natureza.
Será amado por Deus somente aquele que teve sua natureza transformada e passou a amar a Deus e, portanto, obedecer a Deus. Isso ocorre através do perdão, manifestado no abandono definitivo do pecado e na nova vida com Deus.
Você já foi perdoado por Deus ou continua sendo perdoado?
O perdão bíblico está ligado ao arrependimento não de atos isolados, mas ao arrependimento de pecar, indicando abandono do pecado e uma nova vida para com Deus.
A Escritura afirma:
“Todo aquele que comete o pecado é do diabo, porque o diabo peca desde o princípio. Para isto se manifestou o Filho de Deus: para desfazer as obras do diabo.” (1 João 3:8)
No texto, João não fala de “pecados” no plural nem de atos específicos. A expressão “comete o pecado” traduz uma construção com artigo definido singular, apontando para a desobediência como princípio ou condição. O foco não está em pecados isolados, mas no ato de desobedecer a Deus. Assim, a questão central não é a quantidade ou o tipo de pecado, mas a natureza que produz a desobediência.
Por isso, quem ainda pratica a desobediência demonstra uma natureza ainda sujeita ao pecado. Cristo, porém, veio justamente para desfazer as obras do diabo e libertar o homem dessa condição.
Ao concluir o pensamento de 1 João 3:8, fica claro que aquele que é do diabo não é definido por cometer muitos pecados ou pecados considerados grandes aos olhos dos homens, mas simplesmente por pecar. O contraste apresentado pelo apóstolo não é entre quem peca muito e quem peca pouco, mas entre quem peca e quem é nascido de Deus. O problema fundamental está no próprio pecado, pois ele revela a natureza da qual a pessoa participa.
Esse entendimento se conecta ao ensino de Jesus:
“Mas aquele a quem pouco é perdoado pouco ama.” (Lucas 7:47)
Jesus não está ensinando que algumas pessoas têm pouco pecado e outras muito pecado diante de Deus. Ele está mostrando que o problema não é medir pecados, mas reconhecer a própria condição. Todos os homens, em sua natureza humana corrompida, necessitam igualmente da graça e do perdão de Deus.
A Escritura também declara:
“Todas as coisas são puras para os puros; mas para os contaminados e incrédulos nada é puro; antes, tanto a sua mente como a sua consciência estão contaminadas.” (Tito 1:15)
Esse texto mostra que a questão está na natureza da pessoa. Para aquele que permanece contaminado pelo pecado, tudo o que procede dele está contaminado, porque sua mente e sua consciência continuam corrompidas.
Em contraste, João declara:
“Qualquer que é nascido de Deus não comete pecado; porque a sua semente permanece nele; e não pode pecar, porque é nascido de Deus.” (1 João 3:9)
O ensino é que aquele que verdadeiramente nasceu de Deus teve sua natureza transformada. Ele não mais peca, porque a semente de Deus permanece nele e por isso, não pode pecar. Sendo participante da natureza de Deus, não pode participar daquilo que é da natureza do diabo.
A própria Escritura confirma:
“Porque todos os que são guiados pelo Espírito de Deus, esses são filhos de Deus.” (Romanos 8:14)
Quem é nascido de Deus é guiado pelo Espírito de Deus. O Espírito de Deus não interage com o pecado. Quando Deus governa a vida de uma pessoa, essa pessoa não produz mais o pecado porque sua natureza é divina, voltando ao estado original da criação por meio do sangue de Jesus.
Assim, os textos se harmonizam: o contaminado produz aquilo que corresponde à sua natureza contaminada, enquanto o nascido de Deus produz aquilo que corresponde à nova natureza recebida de Deus.
Portanto, a obra de Cristo não trata apenas do perdão de atos isolados, mas da libertação da própria condição de desobediência. Ele veio para desfazer as obras do diabo, transformar a natureza do homem e conduzi-lo a uma vida guiada pelo Espírito de Deus.
Cristo não veio para libertar o homem de praticar muitos pecados ou grandes pecados, mas sim da natureza que produz pecado. Caso contrário, não daríamos ao sangue de Cristo o seu real poder.
2. O verdadeiro arrependimento para verdadeiramente amar a Deus
Quando Jesus afirma: “mas aquele a quem é perdoado, pouco ama” (Lucas 7:47), Ele não está estabelecendo níveis de amor verdadeiro diante de Deus.
A Escritura é categórica ao estabelecer o único padrão do amor a Deus:
“Amarás o Senhor teu Deus de todo o teu coração, de toda a tua alma e de todo o teu entendimento.” (Mateus 22:37)
Não existe divisão nesse mandamento. O amor que procede de Deus não é fragmentado, não é parcial e não admite variações de medida. Ou corresponde ao padrão estabelecido por Deus ou não corresponde.
Dessa forma, o “pouco ama” de Lucas 7:47 não se refere ao amor verdadeiro em menor intensidade. Trata-se de uma expressão que aponta para um amor que não procede da natureza transformada por Deus, mas permanece na condição humana.
Esse mesmo princípio é visto em:
“E, por se multiplicar a iniquidade, o amor de muitos esfriará.” (Mateus 24:12)
Aqui, Jesus está dizendo que o amor característico dos homens esfriará ao final dos últimos dias. Isso corresponde a uma degradação progressiva da condição moral da humanidade, como resultado direto da multiplicação da iniquidade no mundo. Esse esfriamento não é a perda do amor de Deus, mas a manifestação mais evidente de um amor humano deteriorado, acompanhando o aumento da maldade e da corrupção na terra.
Portanto, o problema não está na intensidade do amor, mas na sua origem. Há apenas duas condições: aquilo que procede de Deus e aquilo que procede do homem.
O amor que procede do homem não corresponde ao amor exigido por Deus. O amor que procede de Deus corresponde exatamente ao caráter de Deus.
Por isso, quando Jesus diz “pouco ama”, Ele está descrevendo a condição de quem ainda permanece na expressão humana de amor, que não corresponde à natureza revelada no perdão.
O ponto central não é medir amor, mas identificar a natureza de onde ele procede. Ou é de Deus ou não é de Deus. Não há outra condição.
Dando continuidade ao entendimento de que o amor a Deus não se trata de intensidade, mas de natureza, a Escritura também revela que o arrependimento não está ligado à ideia de “muito ou pouco pecado”, nem à comparação entre pecadores.
A Palavra de Deus é clara ao estabelecer a igualdade da condição humana diante do juízo:
“Não; antes, se não vos arrependerdes, todos de igual modo perecereis.” (Lucas 13:3)
E também:
“Ou cuidais que aqueles dezoito sobre os quais caiu a torre de Siloé e os matou eram mais culpados do que todos os outros moradores de Jerusalém? Não, vos digo.” (Lucas 13:4-5)
O ensino de Jesus elimina qualquer interpretação de superioridade ou inferioridade moral entre os homens. O ponto não está em graus de pecado, mas na condição comum de todos diante de Deus. A mensagem é objetiva: não existe distinção entre “mais pecador” ou “menos pecador” no sentido de responsabilidade diante do arrependimento.
Todos estão sob a mesma condição e todos necessitam do mesmo chamado: arrependimento.
Nesse sentido, o arrependimento não é ajuste de comportamento, nem tentativa de redução de erros, mas mudança de natureza diante de Deus. Não se trata de melhorar ações isoladas, mas de uma transformação da condição interior do homem.
Essa ideia é reforçada na Escritura:
“Todas as coisas são puras para os puros; mas para os contaminados e incrédulos nada é puro; antes, tanto a sua mente como a sua consciência estão contaminadas.” (Tito 1:15)
O texto mostra que o problema não está no ato isolado, mas na condição da natureza. O homem contaminado pelo pecado produz aquilo que corresponde à sua própria condição.
Essa mesma realidade é exposta por Jesus na parábola do fariseu e do publicano:
“Dois homens subiram ao templo para orar; um era fariseu e o outro publicano. O fariseu, em pé, orava de si para si mesmo, exaltando sua própria conduta religiosa. O publicano, porém, estando em pé, batia no peito e dizia: ‘Senhor, tem misericórdia de mim, que sou pecador.’” (Lucas 18:10-13)
Jesus mostra, de forma direta, dois posicionamentos diante de Deus: um homem que se apoia na sua prática religiosa e se justifica por aquilo que faz, e outro que reconhece sua condição diante de Deus, sem defesa, sem comparação e sem justificativa própria, apenas clamando por misericórdia.
A Escritura também afirma:
“Continue o injusto praticando injustiça, e continue o imundo na sua impureza; e o justo continue praticando justiça, e o santo continue se santificando.” (Apocalipse 22:11)
O texto não trata de quantidade de atos, mas de condição. Quem pratica injustiça permanece na condição de injusto, independentemente da quantidade de ações, porque o que define não é o número de atos, mas a natureza que os produz. Da mesma forma, o justo e o santo permanecem em um processo contínuo de santificação, porque pertencem a uma condição diferente.
Nesse sentido, condutas religiosas ou morais podem se tornar um obstáculo quando levam o homem a se perceber como “menos pecador” ou mais aceitável diante de Deus. Isso impede o reconhecimento correto da própria condição e bloqueia o verdadeiro arrependimento.
Por isso, muitos daqueles que eram marginalizados socialmente foram os que mais se aproximaram de Jesus, porque não estavam sustentados por uma falsa percepção de justiça própria.
A própria Escritura demonstra a importância de o homem reconhecer sua verdadeira condição diante de Deus. Ao tratar de alguém que permanecia no pecado, o apóstolo Paulo orientou a igreja a afastá-lo da comunhão, visando não a sua destruição, mas a sua futura salvação:
“Seja entregue a Satanás para destruição da carne, para que o espírito seja salvo no Dia do Senhor Jesus.” (1 Coríntios 5:5)
A exclusao da igreja ou seja, do convivio cristão, mostra o princípio apresentado é que a falsa segurança espiritual pode impedir o arrependimento verdadeiro. Por isso, é melhor que o homem abandone qualquer prática, posição ou identificação que o faça considerar-se salvo enquanto permanece no pecado, do que sustentar uma confiança que o afaste do reconhecimento da sua real condição diante de Deus. Somente quando a verdade sobre sua condição é reconhecida é que o arrependimento pode produzir a transformação que conduz à salvação.
Essa mesma verdade aparece em Lucas 7:
“Portanto te digo: os seus muitos pecados lhe são perdoados porque muito amou; mas aquele a quem pouco é perdoado pouco ama.” (Lucas 7:47)
Nesse texto, “muitos pecados” não indica uma comparação de graus ou tipos de pecado, mas a realidade da condição humana diante de Deus. O homem, estando em pecado, está em uma única condição diante de Deus: afastado dEle, e tudo o que procede dessa condição pertence a ela.
A mulher reconhece essa condição e, diante do perdão, responde com amor correspondente ao reconhecimento do que recebeu. Já aquele que não reconhece sua condição real diante de Deus, mas se percebe como “pouco devedor”, não compreende a profundidade do perdão e, por isso, pouco ama.
Síntese final
Portanto, aquele que não entende a gravidade da sua própria natureza e passa a se comparar com outros, considerando-se “menos pecador” ou em posição mais favorável diante de Deus, está em engano espiritual.
Esse engano distorce a realidade do pecado como condição e não como gradação de atos, e impede o reconhecimento correto do arrependimento.
Por isso, o batismo declara a mesma sentença a todos: morte. Não existe distinção entre homem mais ou menos pecador. Todos são conduzidos à morte da velha natureza de igual modo.
Quando o homem mantém a ideia de que é apenas “menos pecador”, ele preserva a antiga natureza e cria um entrave para o entendimento do arrependimento verdadeiro, que é a morte total do velho homem e o nascimento de uma nova vida em Deus, ficando assim impossibilidade da entrada mo reino de Deus.
“Na verdade, na verdade te digo que aquele que não nascer de novo não pode ver o Reino de Deus.” (João 3:3)
Conclusão
As palavras de Jesus revelam uma verdade que o homem natural dificilmente aceita: o problema da humanidade não está na quantidade ou na qualidade dos pecados que pratica, mas na própria condição de pecado em que se encontra. Pois tudo o que faz, estando nesta condição, procede dessa natureza e, por isso, tudo o que faz é pecado.
Por isso, o arrependimento ensinado por Cristo não é um arrependimento contínuo da permanência no pecado, mas uma ruptura com essa condição. Quando Jesus declara: “se não vos arrependerdes, todos de igual modo perecereis”, Ele não está chamando o homem a conviver com o pecado, mas a abandonar definitivamente aquilo que o separa de Deus.
A obra de Cristo não foi realizada para que o homem continuasse escravo do pecado, mas para desfazer as obras do diabo. E a principal obra do diabo é justamente o pecado, pois foi por meio dele que a natureza humana caiu, afastou-se de Deus e passou a produzir todos os demais males que existem no mundo.
Por essa razão, o grande engano não está apenas em pecar, mas em acreditar que se pode permanecer nessa condição e ainda assim estar em paz com Deus. Foi esse engano que Jesus combateu ao longo de todo o seu ministério.
Aquele que se considera “pouco pecador” não compreende a gravidade da sua condição. E justamente por não compreender sua condição, não reconhece a necessidade da transformação que Deus exige. Por isso, pouco ama. Quando se fala em amar pouco, isso implica estar separado da realidade do verdadeiro amor; significa não participar do amor que procede de Deus, mas permanecer em uma expressão de amor distorcida, de origem humana, e não naquilo que Deus define como verdadeiro amor a Ele.
A conclusão das palavras de Jesus é clara: o homem precisa abandonar o pecado, morrer para a velha natureza e nascer de novo. Esta não é uma opção para alguns, mas a exigência de Deus para todos os que desejam entrar no Reino dos Céus.
Ignorar essa verdade não altera a realidade. O homem pode rejeitá-la, discuti-la ou tentar substituí-la por conceitos humanos, mas permanecerá sujeito às consequências estabelecidas pelo próprio Deus. E a consequência final da permanência no pecado é a condenação eterna.
Por isso, a mensagem de Cristo continua sendo urgente, verdadeira e indispensável: arrependei-vos.
E esse arrependimento não se aplica apenas àquele que se reconhece abertamente distante de Deus, mas também ao religioso, ao que frequenta a igreja, ao que possui aparência de piedade, dons espirituais, conhecimento bíblico ou até mesmo se considera salvo. Pois não são as obras exteriores nem as declarações religiosas que definem o verdadeiro relacionamento com Deus, mas a condição real do coração diante dEle.
Por isso, a própria palavra de Cristo adverte:
“Nem todo o que me diz: Senhor, Senhor, entrará no Reino dos céus, mas aquele que faz a vontade de meu Pai, que está nos céus. Muitos me dirão naquele dia: Senhor, Senhor, não profetizamos nós em teu nome? e em teu nome não expulsamos demônios? e em teu nome não fizemos muitos milagres? E então lhes direi abertamente: nunca vos conheci; apartai-vos de mim, vós que praticais a iniquidade.” (Mateus 7:21-23)
“Qualquer que comete o pecado também comete iniquidade, porque o pecado é iniquidade.” (1 João 3:4 — Almeida Revista e Corrigida)
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