Henrique e a chegada da Parente Distante
Henrique era um homem de 58 anos. Levava uma vida organizada e tranquila. Todos os dias acordava cedo, fazia sua caminhada, tomava café e seguia para o trabalho. Tinha uma boa renda, suficiente para viver com conforto, sem grandes preocupações financeiras.
Além da rotina profissional, dedicava parte do seu tempo a cuidar da mãe, que já era idosa e enfrentava problemas de saúde. Fazia isso com carinho, embora nem sempre fosse uma tarefa fácil.
Era divorciado havia alguns anos. Recentemente conhecera uma mulher com quem mantinha um relacionamento sério e já pensava em um novo casamento.
Cuidava da saúde, praticava atividades físicas regularmente e seus exames sempre apresentavam bons resultados. Nos fins de semana, gostava de encontrar alguns amigos para conversar e, de vez em quando, tomar um chope.
Henrique também tinha uma base religiosa. Frequentava ocasionalmente uma igreja, gostava de ouvir mensagens sobre Deus e procurava ajudar pessoas necessitadas sempre que tinha oportunidade. Era conhecido por ser educado, respeitador e disposto a estender a mão a quem precisava.
Fazia planos para o futuro. Sua agenda estava cheia de compromissos, projetos e sonhos que pretendia realizar aos poucos.
Certo dia, um antigo conhecido entrou em contato com Henrique para dar um recado.
— Henrique, uma parente muito distante pediu que eu lhe avisasse que virá visitá-lo. Ela mora muito longe e faz questão de encontrá-lo pessoalmente.
— Sério? Que notícia interessante! E quando ela vem?
— Ela não disse. Apenas pediu que eu lhe entregasse o recado.
Henrique agradeceu a notícia. Durante alguns dias, lembrou-se daquela visita anunciada. Depois, a rotina voltou ao seu ritmo normal. O trabalho, os compromissos, os cuidados com a mãe, o relacionamento, os encontros com os amigos e os demais afazeres ocuparam seus pensamentos.
Com o passar do tempo, aquele aviso foi ficando distante em sua memória, até que um dia ele já nem se lembrava mais de que uma parente distante havia prometido visitá-lo.
Numa daquelas noites tranquilas, Henrique estava em casa assistindo à televisão. Era um dia especial para ele. O Botafogo, seu time do coração, disputava uma partida importante. A sala estava em silêncio, e toda a sua atenção estava voltada para o jogo.
De repente, ouviu algumas palmas vindas do portão.
— Henrique!... Henrique!...
Ele olhou para a televisão. A partida estava em um dos momentos mais emocionantes. Por um instante, pensou em não atender. Imaginou que talvez fosse algum vizinho ou alguém que pudesse voltar mais tarde.
As palmas, porém, tornaram a ecoar.
— Henrique!... Henrique!...
Ele levantou-se do sofá, caminhou até a janela e tentou enxergar quem estava do lado de fora. A iluminação da rua era fraca. Conseguiu perceber apenas que era uma mulher.
Dirigiu-se ao portão e perguntou:
— Pois não?
A mulher respondeu com uma voz calma e serena:
— Boa noite. Vim visitá-lo.
Henrique estranhou.
— Visitar-me? Creio que a senhora esteja enganada.
Ela sorriu discretamente.
— Não, Henrique. Há algum tempo, mandei avisar que um dia viria encontrá-lo. Apenas não disse quando.
Naquele instante, Henrique lembrou-se do recado que havia recebido meses antes, informando que uma parente distante o visitaria, sem marcar o dia da chegada.
Então acionou o portão eletrônico.
— Entre. Seja bem-vinda.
Ela entrou calmamente e os dois seguiram até a sala.
Henrique apontou para o sofá.
— Pode sentar-se.
Depois perguntou:
— Aceita um café? Uma água? Um refrigerante?
Ela respondeu com gentileza:
— Agradeço, mas não será necessário. Não pretendo demorar.
Henrique desligou a televisão. O jogo do Botafogo continuava, mas aquela visita agora prendia muito mais sua atenção.
Sentou-se à frente da visitante e perguntou:
— Desculpe... qual é o seu nome?
A mulher apenas sorriu. Não respondeu.
O silêncio tomou conta da sala por alguns instantes.
Foi ela quem o interrompeu.
— Henrique, como você tem passado?
— Muito bem, graças a Deus. Trabalho bastante, cuido da minha mãe, tenho uma boa companheira ao meu lado e procuro viver em paz com as pessoas.
Ela fez um leve gesto com a cabeça.
— Sei que acredita nisso.
Depois perguntou:
— E os seus planos? Ainda tem muitos?
Henrique sorriu.
— Tenho vários. Quero me casar novamente, fazer algumas viagens, reformar a casa e continuar trabalhando por mais alguns anos. Também pretendo dedicar mais tempo à minha família.
Ela ouviu atentamente e permaneceu em silêncio por alguns segundos.
Então perguntou:
— E, entre todos esses planos, existe algum outro que você considera mais importante?
Henrique pensou por um instante.
— Não lembro.
A visitante apenas assentiu com a cabeça, enquanto um novo silêncio tomava conta da sala.
Henrique permaneceu olhando para ela. Então, de repente, ela se levantou do sofá onde estava sentada e caminhou até onde ele se encontrava.
Sentou-se ao seu lado e colocou a mão sobre o braço dele.
Naquele instante, Henrique sentiu um arrepio percorrer seu corpo. Um frio subiu pela sua espinha, sua respiração mudou por alguns segundos e uma sensação estranha tomou conta dele. Era como se aquele momento tivesse um peso diferente de todos os outros.
Ele olhou para ela e perguntou:
— Quem é você?
Ela permaneceu em silêncio por alguns instantes.
Henrique aguardou uma resposta, mas ela não veio.
Depois de alguns instantes em silêncio, a visitante olhou para Henrique e disse:
— Henrique, vou levá-lo a um lugar.
Ele ficou surpreso.
— Desculpe, mas isso não será possível agora. Você chegou justamente quando eu estava assistindo a uma partida muito importante do meu time. Eu gosto muito de futebol, e estava acompanhando o jogo.
Ele fez uma pausa e continuou:
— Mesmo assim, parei a partida para lhe dar atenção, porque você é uma parente distante que veio me visitar. Mas agora eu não posso sair.
Henrique olhou para a televisão.
— O jogo ainda vai terminar. Depois eu preciso dormir, porque amanhã acordo cedo para trabalhar. Tenho minha rotina, meus compromissos e não posso simplesmente sair neste momento.
Ele continuou:
— Amanhã também será difícil. Tenho muitas coisas para resolver. Podemos combinar outro dia, com mais calma, e então eu vou com você ao lugar que deseja me levar.
A visitante permaneceu olhando para Henrique e disse:
— Henrique, você virá comigo.
— Henrique, você virá comigo.
Antes que ele pudesse responder, um barulho vindo da rua chamou sua atenção.
Pela janela, percebeu uma movimentação diferente próxima ao portão de sua casa. Algumas pessoas haviam se aproximado. Eram vizinhos, parentes e conhecidos, todos olhando em direção à residência.
Henrique estranhou aquela movimentação.
De repente, viu as luzes de uma ambulância iluminarem a rua. Alguns paramédicos desceram rapidamente do veículo e retiraram uma maca.
Ele olhou para aquela cena sem compreender.
Então, em um instante, tudo mudou.
A sala, a conversa, a visitante e os sons ao seu redor começaram a se afastar como se ele estivesse perdendo a noção do lugar onde estava.
Quando percebeu novamente o que acontecia, estava em um hospital.
Havia pessoas ao seu redor. Equipamentos ligados. Vozes falando rapidamente. Médicos e enfermeiros tentando estabilizar sua condição.
Henrique estava deitado, com aparelhos auxiliando sua respiração. A realidade começou a voltar aos poucos.
Ele tentou entender o que havia acontecido.
Então ouviu alguém dizer:
— Ele teve um infarto. Ainda bem que chamaram o socorro rapidamente.
Naquele momento, Henrique lembrou-se da visitante.
Procurou com os olhos pelo quarto.
E ela estava ali.
Parada, ao lado da porta.
A mesma mulher que havia chegado à sua casa naquela noite.
A mesma mulher que havia sentado ao seu lado.
A mesma mulher que havia colocado a mão sobre o seu braço.
Mas agora, naquele ambiente, Henrique começou a compreender quem ela realmente era.
Seu rosto parecia diferente aos seus olhos. Não era mais apenas uma desconhecida. Era como se todas as respostas que ele procurava estivessem diante dele.
A visitante olhou para Henrique.
E ele entendeu que aquela visita nunca havia sido comum.
Naquele instante, sua mente foi tomada por lembranças. Sua vida inteira começou a passar diante dos seus olhos: suas escolhas, seus planos, suas palavras, seus momentos de alegria e também aquilo que havia deixado para depois.
Pela primeira vez, Henrique percebeu que havia preparado muitas coisas para esta vida, mas nunca havia parado para pensar profundamente sobre o encontro que todos, um dia, terão.
REFLEXÃO
Caro amigo leitor, a história de Henrique não é apenas a história de um homem. Ela representa a realidade de todos nós.
Assim como Henrique, você também recebeu um aviso de que um dia uma visita chegaria. Talvez você não tenha recebido esse aviso por uma carta ou por uma mensagem escrita, mas por muitos meios diferentes.
Você viu pessoas partirem. Ouviu notícias de mortes ao seu redor. Acompanhou amigos e familiares que deixaram este mundo. Talvez tenha ouvido uma pregação, uma palavra sobre a brevidade da vida ou alguém que lhe falou sobre a necessidade de estar preparado.
De muitas maneiras, o aviso chegou até você.
Você sabe que essa visita virá. No entanto, assim como Henrique, muitas pessoas continuam vivendo sua rotina, ocupadas com seus trabalhos, seus planos, seus sonhos, seus problemas e suas conquistas.
A vida segue. Os dias passam. E aquele aviso, que um dia chamou a atenção, começa a ficar distante na memória.
Mas a parente distante continua a caminho.
Ela não esqueceu o endereço. Ela não perdeu o momento da visita. Ela não precisa avisar novamente quando chegará.
A questão não é se essa visita virá. A questão é que muitos se esquecem dela e passam a viver como se essa realidade não estivesse diante de seus olhos. A mensagem que um dia ouviram deixa de permanecer viva em seus pensamentos, e a rotina da vida ocupa o lugar da reflexão sobre o futuro.
Por isso, a grande pergunta é: quando essa visita chegar, você estará preparado? Você estava vivendo de forma consciente de que poderia receber esta visita a qualquer hora?
É importante entender que existem diferentes tipos de Henrique. Existem Henriques mais jovens e outros mais velhos; pessoas com histórias de vida diferentes, rotinas diferentes e maneiras diferentes de viver.
Cada pessoa tem sua própria trajetória, sua própria história e sua própria realidade. Também existem diferentes formas de partir, mas a realidade permanece a mesma: um dia essa visita chegará.
A questão não é pensar apenas na história de Henrique, mas reconhecer que cada um de nós pode estar diante dessa mesma realidade.
A grande reflexão é: quando essa visita chegar, estaremos preparados?
A Verdadeira Preparação
O grande erro de Henrique
O grande erro de Henrique foi ter recebido o aviso de que sua parente viria visitá-lo e, mesmo assim, não ter se preparado para essa chegada.
Quando recebeu a notícia, ele poderia ter procurado saber mais sobre aquela visita. Poderia ter buscado entender qual era o propósito daquela pessoa que viria ao seu encontro. Poderia ter se preparado para recebê-la.
Mas Henrique permitiu que a rotina da vida ocupasse o lugar daquela importante mensagem. O trabalho, os compromissos, os planos, as preocupações e as distrações do dia a dia fizeram com que ele deixasse de pensar sobre aquilo que havia sido anunciado.
O aviso não deixou de ser verdadeiro porque ele se esqueceu. A visita não deixou de acontecer porque ele não se preparou.
O descuido de Henrique foi acreditar, mesmo sem perceber, que havia coisas mais urgentes e importantes do que estar preparado para aquele encontro.
E assim acontece com muitas pessoas: recebem o aviso, conhecem a realidade da vida e da morte, mas permitem que a correria do mundo faça essa verdade perder espaço em seus pensamentos.
"Mas Deus lhe disse: Louco! Esta noite te pedirão a tua alma; e o que tens preparado, para quem será?"(Lucas 12:20)
A história de Henrique nos leva a uma pergunta muito mais profunda: para quem estamos vivendo?
Henrique era um homem que tinha uma vida organizada. Trabalhava, cuidava da sua mãe, tinha seus planos, ajudava pessoas necessitadas e possuía uma base religiosa. Mas, quando foi confrontado com a pergunta sobre aquilo que era realmente mais importante em sua vida, ele não encontrou uma resposta.
O problema de Henrique não estava apenas nas coisas que fazia, mas naquilo que ocupava o centro da sua existência.
Ele vivia para seus projetos, seus sonhos, seus desejos e suas realizações. Ele tinha uma vida voltada para si mesmo, mas não uma vida entregue completamente a Deus.
Assim como o homem da parábola contada por Jesus, ele havia preparado muitas coisas para esta vida, mas não havia compreendido a necessidade de ser rico para com Deus.
A Palavra de Deus nos ensina:
"E ele morreu por todos, para que os que vivem não vivam mais para si, mas para aquele que por eles morreu e ressuscitou."(2 Coríntios 5:15)
O propósito da vida não é simplesmente realizar nossos planos, alcançar nossos objetivos ou desfrutar das coisas que conquistamos. O verdadeiro propósito é viver para Cristo.
O apóstolo Paulo expressou essa realidade quando disse:
"Já estou crucificado com Cristo; e vivo, não mais eu, mas Cristo vive em mim; e a vida que agora vivo na carne vivo-a na fé do Filho de Deus, o qual me amou e se entregou a si mesmo por mim."(Gálatas 2:20)
Viver para Cristo significa conhecer a vontade de Deus e permitir que ela seja o fundamento da nossa vida. Não é apenas possuir uma religião, frequentar um lugar de culto ou praticar boas ações. É entregar a própria vida a Deus, reconhecendo que pertencemos a Ele. É preciso não mais vivermos para nossa vontade, mas para a vontade de Deus. Porque Ele precisa ser o nosso guia, aquele que dirige o nosso pensar, o nosso falar, o nosso sentir, o nosso agir. E tudo deve ser feito para a glória dEle, e não da nossa própria glória.
Henrique tinha muitas qualidades aos olhos das pessoas, mas faltava aquilo que realmente era essencial: viver para Deus.
Ele era rico em muitas coisas desta vida, mas precisava compreender a necessidade de ser rico para com Deus.
A religião e a ajuda as pessoas não podem preparar ninguém para a morte. Somente através do conhecimento de Deus e de Sua vontade revelado nas Escrituras, a Bíblia, e o compromisso de fidelidade a essa vontade revelado nas Escrituras, definem uma vida com fundamento de viver para Cristo.
"Sê fiel até à morte, e dar-te-ei a coroa da vida." Apocalipse 2:10
Conclusão e apelo
Caro amigo leitor, a história de Henrique nos leva a uma reflexão que todos nós precisamos fazer.
Você precisa estar consciente de que a morte pode chegar hoje, amanhã, a qualquer hora, em qualquer dia, em qualquer momento. Por isso, é necessário estar preparado.
E o verdadeiro preparo não está apenas em saber que a morte virá. O verdadeiro preparo está em Cristo.
É Cristo vivendo em nós. É deixar de viver para a nossa própria vontade e passar a viver para a vontade de Deus, que foi revelada em Sua Palavra, a Bíblia Sagrada.
A vida cristã é uma vida de entrega, uma morte para o pecado e para o domínio da nossa própria vontade, para que a vontade de Deus seja o fundamento da nossa existência.
A pergunta que você precisa fazer é:
Você tem sido fiel a Cristo e aos Seus ensinos revelados nas Escrituras?
Você vive para si mesmo ou vive para Deus?
Você tem vivido consciente de que pode partir a qualquer momento?
Essa consciência tem transformado a sua maneira de viver?
Ou você está esperando que a morte chegue para então perceber que precisa mudar de vida?
Mas a verdadeira mudança não deve acontecer apenas pelo medo da morte. A verdadeira mudança deve acontecer porque Jesus Cristo morreu na cruz pelos nossos pecados, para que não vivamos mais para nós mesmos, mas para Aquele que por nós morreu e ressuscitou.
A Palavra de Deus nos ensina:
"E ele morreu por todos, para que os que vivem não vivam mais para si, mas para aquele que por eles morreu e ressuscitou."
2 Coríntios 5:15
Portanto, mude a sua vida. Dê prioridade à leitura da Palavra de Deus, à oração e à comunhão com aqueles que buscam viver em fidelidade ao Senhor.
Acima de tudo, permita que Cristo seja o centro da sua vida. Morra para o pecado e viva em fidelidade à vontade de Deus.
Porque essa é a verdadeira preparação: que já não seja a nossa vontade governando a vida, mas que Cristo viva em nós.
Como disse o apóstolo Paulo:
"Já estou crucificado com Cristo; e vivo, não mais eu, mas Cristo vive em mim..."
Gálatas 2:20
Voce decide hoje como a morte o encontrará:
Preparado
Ou Despreparado
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